quarta-feira, 17 de fevereiro de 2010

Amor de sangue

Havia um grande relógio no meio da rodoviária. Eram 17h08min. O meu primo chegaria a qualquer momento.

- O ônibus do pivete tá atrasado, já era para ter chegado há oito minutos. – falou meu pai impaciente.
- Calma, amor, e não chame ele assim. – falou minha mãe.

Meu pai bufou como se decidisse que não valia à pena prolongar o assunto. A opinião de meu pai sobre o meu primo Guilherme era bem clara: meu primo era um vagabundo baderneiro e ponto final.

Guilherme era meu primo por parte de pai. Ele estava com 19 anos e ainda não tinha tomado um rumo na vida. Ele estava vindo para a minha cidade prestar vestibular para a universidade daqui.

- Meu irmão não está conseguindo controlar o pivete e aí resolveu mandar ele pra mim, para ver se eu dou um jeito na desgraça. Tenho certeza que é isso.
- Paulo... – dizia minha mãe com ar de censura e ao mesmo tempo sorrindo.

Paulo, meu pai, era militar e para ele não havia nada mais importante do que a disciplina. Eu e meu irmão sofríamos, mas de certa forma já estávamos acostumados. Marcelo, meu irmão, tinha 14 anos, eu era três anos mais velho que ele. Ele me odiava e eu odiava ele, a gente vivia brigando.

- Mas que saco esse ônibus que não chega. – suspirou meu irmão Marcelo.
- Ônibus atrasa mesmo... Vocês não sabem disso? – debochou minha mãe.

Eu me perguntava como que estaria meu primo, fazia muito tempo que eu não o via. Mas nós tínhamos sido muito chegados quando crianças, só que depois meu pai fora transferido de cidade e aí a gente acabou perdendo o contato.

O ônibus da companhia
Útil beirou lá na ponta da avenida, manobrando para entrar na rodoviária.

- Até que enfim. – falou meu pai. – Será que é o ônibus dele?
- Acho que deve ser. – disse minha mãe.

O ônibus estacionou no portão 12, era o ônibus de Guilherme.

Ficamos nós quatro, eu, meu irmão, meu pai e minha mãe, observando os passageiros descerem do ônibus e pegando as malas, atentos para tentar localizar Guilherme.

Então, um rapaz começou a caminhar na nossa direção, carregando uma mochila da Redley nas costas e trazendo um bolsão numa das mãos.

Seria meu primo? Eu indaguei. Acho que meus pais também estranharam. Guilherme estava mais alto, com os braços e o peitoral mais definidos, o cabelo raspadinho, todo modelete. A única coisa que eu reconheci nele foi a pinta característica que ele tinha perto da boca, que era um charme.
Ele esticou o braço para cumprimentar meu pai.

- Tudo bom, tio? – ele disse, com um irritante sotaque carioca.
- Tudo. – respondeu meu pai. – Como estão Pedro e Lidia?
- Tão bem. – e depois acrescentou com certo ar de ironia e tristeza. - Muito trabalho, como sempre.

Pedro e Lidia eram meus tios, pais de Guilherme, os dois eram advogados e ganhavam muito bem.

- Amor, vá pegar um carrinho para Guilherme poder por a mala dele. – disse minha mãe.

Meu pai olhou enviesado para minha mãe, não gostando do tom imperativo que ela tinha usado ali em público. Mesmo assim, obedeceu. Lá em casa meu pai eram quem dava as ordens, mas por trás dele, minha mãe que mandava.

- Muito calor lá Rio, querido? – perguntou minha mãe para Guilherme.
- Bastante, tia Silvia.

Depois Guilherme se virou para cumprimentar meu irmão.

- Você deve ser o Marcelo. Cresceu hein moleque.

Marcelo sorriu e eles se cumprimentaram com um aperto de mão.

Em seguida, Guilherme se virou para mim.

- Marcos! – ele exclamou e veio na minha direção para me dar um abraço. – Você tá diferente, cara.
- Você também. – eu falei sem jeito.
- Você tá com o quê? 17 anos?
- Sim. Faço 18 daqui a três meses.

Meu pai voltou trazendo o carrinho. Ajudou Guilherme a depositar a mala e, então, fomos em direção ao nosso carro.

Reparei que Guilherme tinha um piercing na orelha esquerda, muito sexy por sinal. Daí, fiquei pensando que quando eu era criança havia uma história que dependendo do lado em que o garoto furasse a orelha para por brinco, ele era gay. Porém eu não me lembrava se era do lado esquerdo ou se era do lado direito. De qualquer jeito, eu não sei porque eu estava me preocupando com isso.

- Doeu colocar esse piercing aí? – eu perguntei com meu ar mineiro de ser.

Notei que meus pais se entreolharam preocupados com o meu súbito interesse no piercing. Eu sabia que meu pai jamais me deixaria colocar um.

- Nada cara. – ele respondeu. – Foi de boa, tranqüilo mesmo.

Entramos no carro. Pela janela eu observava o fim da tarde. Assentado do meu lado estava Guilherme, eu sentia o perfume dele invadir o meu nariz, um cheiro forte e gostoso, que de alguma forme fazia eu me sentir derretido. Derretido? Que coisa mais boióla, eu pensei, voltei a prestar atenção na paisagem da janela.

- Você vai fazer vestibular também? – perguntou Guilherme, interrompendo a minha contemplação da rua.
- Vou sim. – eu respondi.
- Que curso você escolheu?
- Direito.
- Blehh. – ele disse, fazendo uma cara fofinha de enjoado. – Acho que nesse aspecto meus pais me influenciaram negativamente. Quero passar longe de Direito.
- E você vai fazer o quê? – perguntei.
- Comunicação Social. – falou com orgulho. – Quero ser publicitário.

Escutei meu pai fazer um som de deboche lá na frente. Não sei se Guilherme também reparou, mas se escutou, fingiu que não tinha escutado.

- Poxa, publicidade é uma área muito legal. – falou minha mãe para amenizar, mas de forma totalmente artificial.

Chegando em casa minha mãe falou para Guilherme que ele ficaria no meu quarto, já que éramos próximos de idade.

- Tem problema? – perguntou minha mãe.
- Problema nenhum. Tá ótimo, tia.
- Então... Marcos, ajuda o seu primo a ajeitar as coisas dele e mostre a casa. – pediu minha mãe.
- Tá bem.

Subi com meu primo para o meu quarto.

- Bom... Esse daqui é meu quarto.

Ele entrou, deixou o bolsão no chão e andou pelo quarto.

- Maneiro. – ele elogiou.

Ele se deteve em frente a minha escravinha de estudos e pegou um porta-retrato que encimava na bancada.

- Quem é essa? – ele perguntou.
- Monise, minha namorada. – respondi.
- Ahh. – exclamou surpreso. – É claro.

Depois ele olhou minha coleção de medalhas.

- Você tem bastante medalhas, hein!?
- 53. – eu respondi na ponta da língua. - 31 de ouro. 14 de prata e 5 de bronze.
- Uauu. Temos um atleta na família. – ele sorriu. – Você compete em quê?
- Competia... Parei já tem tempo. Eu fazia natação.

- Que pena que parou. – ele falou. – Esporte é uma coisa boa.
- É, eu tava enjoado.

Depois disso Guilherme ainda olhou meus livros. Notei que ele era bem fuxiqueiro mesmo, gostava de reparar em tudo.

- Vem. Deixa eu te mostrar o resto da casa.

Mostrei onde era o banheiro, a cozinha e os outros cômodos.

De repente tocou a companhia.

- Deve ser Monise, eu vou lá atender. – falei. Eu tinha chamado Monise para lanchar conosco, apresentá-la ao meu primo, essas coisas.

Abri a porta.

- Oi amor.
- Oi lindo – disse Monise, me dando um selinho.

Apresentei Monise ao Guilherme e pouco depois minha mãe colocou o lanche na mesa.

Conversamos, coisa e tal. Depois do lance fui levar Monise de volta para casa, ela morava perto de mim.

No meio do caminho, resolvemos ir na pracinha, tomar um sorvete.

- Parece ser gente boa seu primo. – falou Monise.
- É, mas ele é conhecido entre os familiares por ser “o” rebelde. Você tem que ver o vovô falando dele. O tio mandou ele pra cá pra ver se meu pai dá um jeito nele ou pelo menos ajuda, já que meu pai é meio rígido.
- Ah, entendi. E ele vai ficar quanto tempo?
- Um mês. Só até o vestibular. Minha mãe matriculou ele no ‘Opção’.

‘Opção’ era um cursinho preparatório para o vestibular.

Comemos nossa casquinha e deixei Monise em casa. Eu gostava muito de Monise, mas ela tinha umas características que eu não gostava muito, ela se irritava facilmente e implicava comigo por pequenas coisas, de vez em quando isso me cansava.

Voltando para casa, quando entrei no meu quarto, me deparei com Guilherme sem camisa e descalço, só com uma toalha na cintura.

Nossa, que moleque gostoso. Foi a primeira coisa que eu imediatamente pensei. Peraí, isso é coisa de veado e eu não sou veado. Afastei o pensamento da minha cabeça.

- Eu acabei de sair do banho. – disse Guilherme.
- Ah sim. Vou sair do quarto pra você poder se trocar.
- Não precisa não. Eu não tenho vergonha. Além disso, você é meu primo, oras. Parece até que esqueceu das brincadeiras que a gente fazia quando éramos garotos.

Eu me lembrava muito bem das brincadeiras. Eu tinha 9 anos e ele tinha 11. Brincávamos de lutinha com nossos paus, como se fossem espadas, lembro que o pau de nós dois ficava duro. Mas na época eu ainda era muito inocente e nem tinha muito pudor na brincadeira não. De qualquer jeito, eu preferia não lembrar dessas brincadeiras, me sentia envergonhado.

- Você ficou vermelho! – exclamou Guilherme e começou a rir.

Depois de alguns segundos pocando na risada, Guilhereme sugeriu:

- Que tal se a gente recordasse nossas brincadeiras?

Na hora fique mais vermelho ainda, igual um pimentão.

- Tá doido!?

Guilherme riu mais ainda.

- Eu tô zuando cara. Vocês mineiros não tem jeito.

Acabei saindo do quarto para deixá-lo mudar de roupa. Eu estava meio sem graça de ficar no quarto com ele mudando de roupa, ainda mais depois dessa brincadeira que ele tinha feito.

Peguei meu pijama e fui tomar meu banho. O som da risada de Guilherme não saia da minha cabeça, era um som tão agradável de escutar...

Depois do banho voltei para meu quarto, Guilherme estava lendo um livro.
Lendo um livro? Fiquei surpreso, confesso que não esperava isso de Guilherme.

- O que você tá lendo aí? – perguntei curioso.
-
O Príncipe. – respondeu Guilherme.

Foi tão inesperado que fiquei até um pouco boquiaberto.
O Príncipe de Maquiavel era uma obra clássica, onde ficou conhecido o lema “Os fins justificam os meios”. Jamais pensei que Guilherme pudesse ler um livro desses.

- Bom, eu estou indo ver televisão. – eu falei. – Se você quiser vir comigo... Mas pode continuar aí lendo seu livro também, se quiser.
- Ah sim. Claro. Vou com você.

Liguei a TV, em um dos canais estava passando
“Beleza Americana”. Meu filme predileto, eu não canso de assisti-lo. Quer dizer, então é óbvio que a televisão ficou nesse canal, nem me dei ao trabalho de perguntar se Guilherme queria ver outra coisa, nesse sentido fui até um pouco mal educado.

A verdade, porém, é que eu fiquei mais conversando com Guilherme do que assistindo ao filme propriamente.

Guilherme me contou dos seus planos para o futuro.

- Sabe, não sei se quero fazer faculdade. – ele confessou. – Eu tenho espírito empreendedor, quero abrir um negócio. Tá no meu sangue, eu sinto isso. Eu não sirvo pra faculdade.
- Sakei, pow, você tem que correr atrás do seu sonho então véi. – falei.
- Vai parecer meio gay isso que eu vou falar agora, não liga não, mas eu acho lindo o seu sotaque de mineiro cara. – ele falou, sem qualquer pudor. – Mas voltando ao assunto, eu tenho um contato lá em São Paulo, acho que vai rolar de abrir uma produtora de eventos no interior de São Paulo. Sabe, tipo, quem organiza formaturas, casamentos, shows. Bom, eventos de forma geral, o nome já diz, produtora de eventos.

Agora eu entendia porque meu avô se referia ao Guilherme como
quase-grande sonhador de quase-projetos quase-realizáveis. Não sei como meu avô tinha bolado esse apelido, mas fazia muito sentido. O projeto de Guilherme parecia quase-perfeito pela forma como ele falava, mas se alguém fosse parar para pensar bem, aquilo que ele estava dizendo era totalmente inviável e fora da realidade. Mas de alguma forma, o jeito como ele falava das coisas, seduzia e fazia tudo parecer possível.

- Você já falou para seus pais desse seu plano? Afinal você vai precisar pedir dinheiro emprestado para eles, né?
- Ainda não falei. Vou esperar que as coisas se acertem mais. – ele falou.

Conversamos mais um pouco e depois o filme acabou. Fomos, então, dormir. A minha cama era do tipo
bicama, eu dormi na parte de cima e ele na de baixo.

Acordei com o sol de sábado entrando pelas frestas da persiana. Olhei para baixo, Guilherme ainda dormia, parecia um anjo, todo esparramado na cama. Fiquei ali parado, contemplando meu primo.

Depois desci para tomar café-da-manhã. Tive uma discussão com meu irmão sobre quem ia comer o resto do cereal, como sou mais velho, impus a minha vontade e meu irmão acabou tendo que fazer uma torrada com manteiga.

Logo em seguida apareceu Guilherme com carinha de quem acabara de acordar, de camisa branca, short xadrez de pijama e de chinelo.

Mesmo com aquela cara de sono, ele conseguia ser charmoso. Isso me deixava incomodado, eu não sabia por que.

Falei para ele ficar a vontade, que ele podia fazer uma torrada com manteiga ou misto-quente, o que ele preferisse.

- Beleza, pode deixar que eu me viro. – ele falou com o aquele sotaque de carioca.

Fui para a sala ver televisão. Mas meu irmão já estava lá.

- Marcelo, deixa eu ver televisão, você sabe que agora passa
“Arrested Development”. – eu falei.
- É, mas eu cheguei aqui primeiro e eu estou a fim de ver outra coisa. – ele resmungou.

Arrested Development era uma série de comédia que passava na Fox. Era a série de comédia mais engraçada que existia, eu adorava (infelizmente hoje em dia não passa mais). Eu sabia que Marcelo estava fazendo aquilo só de implicância comigo, porque eu tinha ficado com o resto do cereal..

Peguei meu celular, fui para o corredor e disquei o número lá de casa. Deixei o telefone tocar três vezes, então desliguei o celular e fingi atender o telefone.

- Alô? – falei alto, fingindo conversar com alguém pelo telefone. – Tá tudo bom. Vou chamar ele pra você.

Deixe o telefone em cima da mesinha e fui para a sala de televisão.

- Marcelo, é a Bianca. – falei.

Bianca era a
peguete do meu irmão. Marcelo se levantou do sofá e foi atender o telefone.

Eu peguei o lugar dele e deitei no sofá, apanhei o controle-remoto e mudei o canal.

Pouco tempo depois voltou meu irmão furioso.

- Não tinha ninguém no telefone! – ele bradou.
- Não? – falei, me fazendo de desentendido. – Deve ter caído a ligação, então.
- Mentira! – ele falou irritado. – Me devolve o controle remoto.
- Eu não.
Foi na roça, perdeu a carroça. – falei rindo.

Meu irmão ficou puto e tirou a tomada da televisão para fora.

- Põe essa tomada de volta, agora! – eu ordenei.
- Então me devolve o controle.

Eu ameacei levantar do sofá, meu irmão ficou com medo e correu para o quarto, gritando.

- Você é um desgraçado!

Eu não tinha o costume de bater no meu irmão. Mas ele sabia que quando eu resolvia bater nele era para machucar mesmo e daí ele ficava com medo. Porém eu só usava essa estratégia em último caso e quando meus pais não estavam em casa. Como agora de manhã meus pais estavam fora, caminhando no parque, eu era então o soberano da casa e não havia nada que ele pudesse fazer.

- Você e seu irmão não seu dão muito bem, né? – falou Guilherme, chegando na sala.
- É... Paciência... – respondi. – Senta aí que essa série é boa.
Arrested Development, já viu?
- Já ouvi falar, mas nunca vi. – ele falou.

Guilherme sentou-se no outro sofá e cruzou as pernas, colocando o pé em cima do joelho da outra perna. Pelo ângulo, dava para ver toda a coxa dele e perceber que ele estava sem cueca, eu conseguia até ver um pedaço do saco dele e alguns pentelhos do saco. Aquilo me deixou excitado e meu pau começou a ficar duro dentro do meu short, tive que colocar uma almofada na minha frente para que ele não percebesse a minha ereção, já que eu também estava sem cueca. Ora e outra eu dava uma espiada na perna de Guilherme, eu já não estava nem conseguindo me concentrar direito no meu programa.


De tarde tive uma nova discussão com meu irmão.

Eu estava entrando no banheiro, quando meu irmão veio correndo.

- Marcos, deixa eu tomar banho na sua frente, é que eu vou ter que encontrar com Bianca daqui a pouco.
- Hun... Deixa eu ver aqui... – falei, fingindo que estava pensando. – Não!

E fechei a porta.

- Por favor véi.
- Não. Ela que espere.

E de propósito tomei meu banho bem devagar. Quando sai do banheiro meu irmão estava quase pulando em cima de mim.

- Você também gosta de implicar com seu irmão, né cara? – falou Guilherme sorrindo.
- Ah... Ele também é babaca comigo...

No dia seguinte, domingo, acordei espreguiçando meus braços. Olhei para baixo, lá estava Guilherme todo esparramado na cama e com o pau duro.

Pau duro?

Tomei um susto. O pau de Guilherme estava durão, quase explodindo para fora do short, mó barraca armada mesmo.

Talvez ele estivesse tendo algum sonho erótico, eu imaginei.

De qualquer maneira eu estava impressionado, o pau dele havia crescido muito desde a nossa época de criança.

Quando eu percebi, meu pênis também estava duro. Quer dizer, meu pau tinha ficado duro só de ver a pica dura do meu primo. Senti-me um pouco constrangido, mas ao mesmo tempo eu estava gostando de ver aquele mastro duro na minha frente, aquelas pernas e braços torneados, aquele corpo na minha frente estava mexendo com os meus hormônios. Tive vontade de começar a me masturbar enquanto observava aquele corpo na minha frente, mas me segurei.

De repente meu primo se mexeu na cama. Talvez ele estivesse acordando, me virei de costa e fingi que estava dormindo.

Escutei alguns barulhos, ele realmente havia acordado. Eu continuei fingindo que estava dormindo.

Passou algum tempo e de repente eu comecei a escutar uns gemidos baixinho.

Virei meu rosto, fingindo que estava acordando, e me sobressaltei com o que vi.

Guilherme estava de joelhos na sua cama, com o pau para fora e se punhetando.

- Que isso? – exclamei.
- Pow, eu acordei de pau duro e aí vi essa bundinha empinada na minha direção... – ele falou.

Eu olhava aquela pica dura na minha frente. O pau do meu primo era lindo.

- Tá doido!? – censurei. - Olhando bunda de homem véi?
- Cara, tô na seca. Eu tô aceitando meter meu pau em qualquer lugar. – ele falou de forma maliciosa. – Dá sua bundinha pra mim, cara. Me ajuda aí.
- Cai fora, doido. Eu não curto essas paradas não. Eu tenho namorada!
- Sortudo, pode meter nela sempre que tem vontade. – ele retrucou. – Me ajuda aí priminho. Vai!?

Nisso, senti a mão dele apertar a minha perna.

- Não véi! – falei com ênfase, mas senti um arrepio ao sentir a mão dele me tocar.
- Tá certo. – ele disse murchando. – Vou ter que me satisfazer sozinho.
- Pois é.

Ele voltou a se deitar na cama e continuou se punhetando ali mesmo, na minha frente. Guilherme fechou os olhos e seu rosto começou a se contorcer em prazeres enquanto a mão dele massageava seu próprio pau.

Eu simplesmente não consegui desviar os meus olhos dele, parecia um imã.

Eu escutava os gemidos de prazer que de vez em quando ele soltava baixinho.

Então, o ritmo começou progressivamente a ficar mais intenso e rápido. A mão dele começou a massagear o pau com mais velocidade.

Poucos minutos depois dois jatões brancos saíram do pau de Guilherme, melecando a sua própria barriga, ele tinha gozado. Guilherme soltou um suspiro de alívio.

- Desculpa, mas eu tava precisando muito. Era aqui e agora ou eu ia ter um infarto – ele justificou.
- Tranqüilo. – falei, fingindo não me importar. – Se quiser, eu posso buscar um papel para você limpar essa lambança nojenta que você fez.
- Ah... Se você puder, eu agradeço. Valeu.

Levantei da cama para ir buscar um papel para Guilherme.

De repente, escutei uma exclamação.

- Cara! – falou Guilherme.
- Quê? – perguntei.

Ele estava apontando em direção ao meu pau.

- Você tá de barraca armada, cara! Você ficou de pau duro de me ver batendo punheta.

Que mole que eu dei. Eu pensei. Não tinha lembrado que eu estava de barraca armada. Fiquei sem graça, mas consegui rapidamente emendar:

- Nada a ver véi. As vezes eu acordo de pau duro ué... Por acaso você nunca acordou de pau duro não?

E em seguida sai do quarto, sem saber se minha desculpa tinha colado ou não.

O resto do domingo passou de forma usual. Depois do almoço ajudei minha mãe limpar a louça e varri a cozinha. Lá em casa meu pai obrigava que os dois filhos ajudassem minha mãe nas tarefas de casa, então as vezes tínhamos que limpar banheiro, varrer a casa, passar a roupa etc. Normalmente a gente se revezava nas obrigações, era também só nos finais de semana, porque dia de semana a gente tinha empregada.

De tarde resolvi ir ao cinema com Monise, chamei Guilherme para ir conosco, mas ele recusou, disse que ia adiantar umas matérias para o vestibular, causando certa perplexidade nos meus pais. Por sinal, eu devia ter batido uma foto do rosto dos dois quando ouviram Guilherme dizendo que não ia para poder estudar um pouco. Simplesmente hilário.

De noite voltei do cinema chateado com Monise.
“Para variar” a gente tinha assistido o filme que ela tinha decidido e não o que eu queria... Aff!

- Cara, se você animar a gente pode assistir esse filme aí agora de noite, depois do lanche. Topa não? – convidou Guilherme.
- Não sei véi. Acabei de chegar do cinema, ir no cinema de novo? Não parece uma boa idéia.

Guilherme pareceu meio desapontado.

- Mas tipo, deixa a gente lanchar primeiro, de repente eu animo sim. – falei.
- Beleza! – ele sorriu, contente igual uma criança.

Depois do lanche, acabei topando ir ao cinema com Guilherme, pois eu queria muito assistir ”Cartas de Iwo Jima”, um filme sobre a Segunda Guerra Mundial.

- Tá, eu só preciso tomar meu banho e me arrumar. – falou Guilherme.
- Tá beleza. – falei.

Fiquei no meu quarto, usando o computador, mexendo no MSN, conversando com meus colegas.

Passaram-se mais ou menos uns 30 minutos, então escuto Guilherme entrar no quarto.

- Esstou pronto. – ele falou, puxando o
's'.

Olhei meu primo dos pés a cabeça, ele estava simplesmente tudo de bom. Ele tinha conseguido ficar mais gatinho do que ele já era, eu estava impressionado.

- Então vamos. – falei, afastando esses pensamentos impróprios do meu cérebro.

Durante o caminho, Guilherme ficou lembrando dos nossos tempos de infância.

- Lembra que eu te chamava de
“Dodói”? – ele perguntou.

Eu dei uma risada, já tinha quase me esquecido daquilo. Quando crianças, Guilherme gostava de pirraçar o sobrenome que eu tinha herdado da minha mãe que era
“Godoi”. Ele ficava me chamando de “Dodói”, distorcendo meu sobrenome, na época eu odiava, mas ele só me chamava por esse nome.

- Eram bons tempos, né cara?
- Eram. – respondi e depois provoquei. - A gente não precisava se preocupar com as responsabilidaaaades... neeeé Guilherme!?

Ele me olhou fazendo uma linda cara de sonso.

- Tira era essa ironia aí da frase, porque que eu sou responsável. – ele falou rindo. – E outra coisa, já te falei que você pode me chamar de Gui.

- Tá bom, Gui!

Compramos um pacotão de pipoca para nós dois e entramos na sala do filme.

O pacote de pipoca ficou no colo de Guilherme, vire-e-mexe nossas mãos se esbarravam quando eu ai pegar pipoca. Comecei a sentir um certo clima estranho no ar.

Próximo do meio do filme a pipoca acabou e Guilherme colocou o pacote de pipoca vazio na cadeira do lado que estava sem gente.

Eu estava ocupando os dois braços da poltrona e Gui estava com os braços em cima do colo.

De repente senti o braço dele encostar no meu, como que pedindo um pedaço do braço da poltrona para ele poder apoiar o seu braço. Cheguei meu braço um pouquinho pro lado para dar espaço pra ele.

Subitamente sinto a mão de Guilherme em cima da minha.
Que isso?. Com o susto, tirei minha mão dali e resolvi deixar meu braço em cima do meu colo mesmo.

Continuei assistindo ao filme, mas com o coração batendo acelerado, me sentindo aflito.
Por que eu estava me sentindo assim?

Vagarosamente, fui voltando meu braço para onde estava e coloquei minha mão por cima da mão de Guilherme, sentindo toda a maciez da pele dele.

Meu coração parecia que ia saltar da minha boca. Era tão bom sentir a mão dele.

Senti ele fazer um carinho na minha mão, foi tão gostoso...

Percebi ele virando o rosto na minha direção. Virei meu rosto na direção dele também.

Nossos olhos se encontraram no escuro do cinema. Ficamos um olhando o outro. Eu via a claridade do telão do cinema refletir nos olhos castanhos de Gui. Ele parecia um príncipe.

Ele deu um sorriso. O sorriso dele era perfeito.

Retribui meio sem jeito o sorriso.

Senti o rosto dele ir se aproximando do meu. De repente parecia que o tempo tinha parado.
.Os lábios dele se juntaram aos meus. A boca dele tinha gosto de morango.

Senti sua mão tocar meu rosto. Nossas línguas se abraçaram dentro de nossas bocas. Era uma sensação diferente, mas era bom, muito bom, era delicioso aquele beijo, suave e romântico, ardente e eufórico, misterioso e excitante.

Ficamos longos minutos nos beijando. Meu corpo se derretia e se arrepiava com aqueles lábios suculentos e com aquela língua saborosa.

De repente algo vibrou.

Vibrou dentro do meu bolso.

Era meu celular.

Eu tinha recebido uma mensagem SMS de Monise. Ela estava me pedindo desculpas por ter sido intolerante e mandona e no final dizia
“Eu te amo”.

Li a mensagem e guardei novamente meu celular no bolso, em seguida voltei minha atenção para o filme. A cabeça de Guilherme ficou parada no ar, esperando que eu voltasse a beijá-lo.

Um sentimento de culpa começou a corroer a minha mente e eu comecei a me sentir sujo.
Pra quê que eu tinha beijado meu primo? Onde que eu estava com a cabeça?

O filme terminou, as luzes do cinema se acenderam, eu e Guilherme não trocamos palavras, eu não conseguia nem olhar na cara dele.

No caminho de volta para casa, Gui abriu a boca para falar.

- Eu gostei. – ele falou.
- Pois eu não. – eu respondi com prontidão.
- Esstou falando do filme! – ele enfatizou.
- Ah!

Eu estava totalmente sem jeito. Eu andava olhando para o chão, eu simplesmente não conseguia olhar para outro lugar.

Eu estava reparando numa pomba morta que estava esmagada no asfalto, quando senti a mão de Guilherme segurar com força meu braço.

- Eu disse que gostei! – ele disse olhando no meu rosto.
- Tá, eu achei o filme médio e daí?
- Estou falando disso daqui. – e ele me puxou pelos braços e me lascou um beijo.

Por que o beijo dele tinha que ser bom? Ele podia beijar mal, aí eu não teria problemas...
Aff... Olhas as coisas que eu estou pensando...


- Vai dizer que não gostou? – ele perguntou.
- Eu tenho namorada. – exclamei com convicção. – Olha pra mim, vê se eu tenho cara de bicha?
- Você não respondeu a minha pergunta. – ele falou e me puxou novamente para mais um beijo.

A minha cabeça ia pifar. Ao mesmo tempo em que eu estava gostando, eu não estava gostando. Aquilo simplesmente não estava certo.

- Isso não tá certo véi. – eu falei.
- Quem importa com o que é certo? – ele contraargumentou, me puxando para um novo beijo.
- Para! Eu vou te dar um soco se você tentar fazer isso de novo.
- Tá bem... Tá bem... – disse Guilherme, baixando a bola.

Percorremos calados o resto do trajeto. Minha mente estava um vulcão em erupção, eu não estava entendo mais nada.

Quando cheguei em casa, liguei para Monise, eu precisava urgentemente ouvir a voz dela.

Conversei com ela durante uns dez minutos, mas o som da voz dela não me trouxe tranqüilidade, pelo contrário, minha cabeça repelia o barulho da voz dela, o que me deixou mais confuso.

No meu quarto, Guilherme veio me pedir desculpas.

- Cara, queria te pedir desculpas. – ele falou.
- Fica frio, tá tranqüilo.
- Que bom... E assim... Espero que isso fique só entre a gente. Não comenta com ninguém não.
- Pode ficar sossegado. – eu falei.

Mas eu não estava nem um pouco sossegado. Por fora eu estava fazendo esse teatrinho, mas por dentro eu queria desesperadamente agarrá-lo e sentir o calor do seu corpo.

Ficamos conversando um pouco no quarto antes de dormir. Era engraçado, a voz do meu primo fazia eu me sentir calmo.

O outro dia era uma segunda-feira, portanto dia de aula. Meu pai entrou cedo no meu quarto cantando o hino da bandeira como ele sempre fazia, era um inferno. Pior foi para Guilherme que não estava acostumado e eu tinha esquecido de alertá-lo sobre este fenômeno quer acontecia todas as manhãs. Acho que meu pai tinha um sonho frustrado de ser cantor, aí ficava cantando esses hinos... As vezes ele cantava o hino nacional, mas normalmente era o hino da bandeira mesmo que era mais chato.

Eu levantei de prontidão, não demorou muito e Guilherme teve que levantar também, vencido pela desafinação do meu pai.

Depois do café-da-manhã, fomos para o cursinho. Eu estudava no mesmo lugar em que Guilherme iria freqüentar, mas eu fazia o terceiro ano integrado e ele ia fazer o intensivo.

De tarde eu tinha marcado uma peladinha com os meus colegas e acabei chamando Guilherme para ir comigo.

- Por que não? – foi o que ele respondeu, aceitando o convite.

Meus amigos logo se simpatizaram muito com Guilherme. E realmente, Gui era bom de papo, acho que é coisa de carioca, deve ser.

Mas no campo mesmo, Guilherme não tinha tantos dons assim, perdia várias oportunidades e não driblava muito bem, em todo caso, também não era de todo mal...

A partida de futebol seguia em sua normalidade, quando de repente fizeram uma falta em mim e eu tropecei, torcendo levemente meu pé, na hora doeu pra caramba.

O pessoal veio me acudir.

- Tá doendo Marcos?
- Tá. – eu respondia

O pessoal me ajudou a levantar, mas eu não conseguia andar direito. Guilherme, então, me ajudou a sair do campo. Eu fui andando mancando com o braço por cima do ombro dele até um banco que tinha ali perto.

A partida continuou e Gui ficou ali comigo.

- Eu sei fazer uma massagem que vai ajudar. – ele falou.

Olhei com dúvidas, mas acabei deixando por fim.

Tirei o tênis do meu pé esquerdo e apoiei meu pé a por cima das coxas de Guilherme.

- A meia também. – ele falou.

Obedeci e tirei a meia. Logo em seguida senti as mãos quentes do meu primo tocarem o meu pé. Parecia mãos de um anjo, delicadas, mas ao mesmo tempo firmes. Ele massageava meu pé de uma forma relaxante, usando força, mas sendo cuidadoso.

De repente, senti meu pênis dentro da minha cueca começar a se animar. Meu pau começava lentamente a latejar, ficando aos poucos duro, com aquela massagem. A sorte era que eu estava de cueca e dava para disfarçar um pouco. Ao longe eu sabia que ninguém perceberia, mas eu não estava certo se conseguiria disfarçar de Guilherme, que estava muito perto de mim.

- Tá “dodói”? – falou Guilherme, fazendo uma nítida referencia ao apelido que ele costumava me chamar.
- Engraçadinho.

Enquanto isso, as mãos do meu primo continuavam deslizando pelo meu pé, causando um frêmito gostoso na minha espinha dorsal.

- Você até que tem um pé bonitinho. – ele falou, olhando para o meu pé.

Eu não respondi. Vê se isso era comentário de se fazer...

Senti as mãos
calientes de Guilherme irem discretamente subindo em direção a minha perna. Eu não disse nada, meus olhos miravam o campo, observando a partida de futebol e fingindo que eu não estava percebendo aquela massagem que se tornava cada vez mais abusada.

As mãos de Gui iam subindo devagar, causando um arrepio nos pelos da minha nuca. Seus dedos foram até o meu joelho e depois suas mãos voltaram descendo até chegarem novamente no meu pé. Ele fez mais um pouco de massagem no meu pé e então parou.

- Pronto. – ele disse, mostrando aquele sorriso de morango.
- Obrigado véi. – falei.

Eu ainda sentia um pouco de dor no meu tornozelo, mas bem menos que antes. A massagem de Guilherme havia, de fato, ajudado.

A tarde ficou nublada até o dia começar a escurecer. De noite, lanchei e depois fiquei estudando, afinal eu tinha um vestibular para fazer e o curso de Direito não era simplesmente fácil de passar, mas hora e outra eu me pegava pensando na massagem de Guilherme. Meu primo estava na sala, assistindo televisão com meu irmão, ainda bem, porque ele no meu quarto eu não conseguiria me concentrar para os estudos.

Acabei indo dormir cedo. Quando deitei na cama, Guilherme ainda estava na sala vendo televisão. Não demorou muito para eu pegar no sono.

Então comecei a sonhar que eu estava na praia, construindo um imponente castelo de areia. De repente passa meu primo Guilherme por cima, destruindo o castelo que eu estava construindo. Eu furioso começo a correr atrás dele. Eu consigo alcançar ele e a gente cai na areia. Eu viro para ele e pergunto irritado:
Por que você fez aquilo? Ele dá de ombros. Em seguida, ele tira meu pau que estava duro para fora da minha sunga e começa a me masturbar. Eu não reajo, simplesmente fecho os olhos, curtindo aquela sensação. A mão de Guilherme parece estranhamente molhada.

Abri os olhos, estava escuro o meu quarto. Tive um pequeno sobressalto, na minha frente estava Guilherme, seus lábios de morango estavam sugando meu pau.

Quando Guilherme percebeu que eu tinha acordado, ele me encarou, esperando a minha reação. Mas eu não falei e nem fiz nada, fiquei em silêncio, deixei que ele continuasse o que estava fazendo.

Então ele tornou a abocanhar o meu pau e eu senti seus lábios voltarem a massagear a minha pica. Sua saliva morna molhava cada centímetro do meu pau.

A língua de Guilherme percorria toda a extensão do meu pau, desde a base até a ponta, lambendo com cuidado o olhinho da cabeça do meu pau, de onde já saia um pouco de baba do meu pau. Ele lambia toda a baba que saia.

Eu comecei a me contorcer inquieto. Até que chegou uma hora que eu não agüentei mais de tanto tesão e minhas mãos começaram a forçar a cabeça de Guilherme contra o meu pau. Eu comecei literalmente a fuder a boca dele.

Minha respiração ofegava e meu corpo transpirava, era impossível parar agora.

De repente, Guilherme parou.

- Continua. – eu sussurrei, implorando.

Guilherme de um sorriso meigo.

- Continua véi. – eu falei, e com minhas mãos peguei a cabeça dele e a levei novamente em direção ao meu pau. – Isso... Isso... Ahh... Vai... Não para não.

Ele lambia cada centímetro da cabeça do meu pau, me levando a loucura, em seguida voltava a massagear meu pau com seus lábios.

Depois de muitos minutos de prazer intenso, não houve como segurar por mais tempo a minha ejaculação e eu gozei com força dentro da boca do meu primo, enchendo a boca dele de porra
Deposi, Guilherme deitou-se do meu lado, fazendo um chamego no meu peito e dando um beijo no meu pescoço.

- Deixa eu dormir aqui com você? – ele sussurrou no meu ouvido.

Quase balancei a cabeça fazendo que sim, mas então um surto de pânico invadiu minha mente.

- Não véi! Claro que não! Imagina se meu pai entra aqui para acordar a gente e depara com a cena... Tá maluco? – e dei um chega pra lá nele.

Ele desceu para cama dele. Fiquei um pouco mal por ter sido grosseiro com ele, mas era melhor assim.

Não demorou muito e eu consegui cair no sono novamente.

Quando abri os olhos, não foi ao som do hino da bandeira que meu pai estava cantando, mas ao som do meu celular que estava tocando na cabeceira da cama.

Peguei desconcertado o celular, ainda eram 04h00min da madrugada. Quem estava me ligando era Monise, pow, será que ela tinha perdido a noção das horas, caralho.

- Quem é o mané que tá ligando para você nesse horário? – resmungou Guilherme da cama dele. – Porra, que horas são?

Atendi o telefone.

- Oi amor, o que houve?
- Oi lindo. Desculpa estar te ligando agora, mas houve uma emergência. Vovó teve um derrame, estamos viajando pra lá agora, liguei só para te avisar.

Nossa, a noticia tinha me pegado de surpresa. Dona Ziza era um amor de pessoa, eu tinha conhecido ela no natal passado. Uma típica avó, vivia na cozinha preparando algo para agradar os netos.

- Como assim? – perguntei perplexo.
- Não sei ainda. A gente tá saindo agora, depois eu te dou mais noticias.
- Tá. É... – eu estava sem palavras. – Se você precisar de alguma coisa, você me fala.
- Tá bom, brigada lindo. Agora preciso ir.
- Tá. Me manda noticias assim que der.
- Pode deixar. Beijo.
- Beijo.
.
- Sua namorada tá com o relógio quebrado? – indagou meu primo.
- Não... – falei absorto. – A vó dela teve um derrame.

Houve silêncio.

Deitei no meu travesseiro pensativo e não consegui pegar no sono novamente. O tempo passou e eu escutei meu pai entrar no meu quarto, mas desta vez ele não recitou o hino da bandeira, nem o hino nacional.

Ele entrou no meu quarto com um novo repertório. Ele começou a cantar
”Meu Mundo e Nada Mias”.

- Que isso, pai? – perguntei, levantando da cama.
- Resolvi mudar o disco. – ele disse faceiro. – Sua mãe está grávida, acabamos de descobrir hoje cedo.

Houve uma pausa em que eu fiquei boquiaberto e o único som que ecoava pelo quarto era a voz do meu pai catando a música.

- Você vai ganhar um irmãozinho. – falou feliz meu pai.

Eu estava atônito, tinham sido muitas noticias ao mesmo tempo. Eu ia ter um irmão 17 anos mais novo que eu, isso parecia uma loucura, tive vontade de censurar meu pai, mas ele estava tão feliz, que de certa forma isso me comoveu e eu não falei nada.

Fui para aula sem comentar nada da avó de Monise, decidi contar para meus pais dessa triste noticia só na hora do almoço, que aí seria mais tranqüilo.

O resto do dia passou de forma nebulosa. A estranha noticia de saber que eu teria mais um irmão... Sei lá... Eu não tinha uma experiência muito boa com irmãos... Vide Marcelo. Ao mesmo tempo a noticia da avó de Monise.

Passei o dia ocupado com esses pensamentos, nem deu para pensar em Guilherme.

De tarde recebi um telefonema de Monise. Ela me falou que a avó dela tinha entrado em coma e que eles passariam alguns dias na cidade lá, para poder dar um suporte para o avô dela que estava muito abalado com o acontecimento.

De noite, na hora de dormir, Guilherme subiu na minha cama.

- Deixa eu dormir aqui com você? – ele pediu, todo carente.
- Eu já disse que não. – sussurrei. – Nem sei o que meu pai faria se me visse deitado na cama com outro homem, acho que ele me matava.
- A gente coloca o despertador pra 15 minutos antes do seu pai chamar a gente e aí eu desço pra minha cama antes dele entrar no quarto... – sugeriu Gui.
- Humm... Acho melhor não. – disse, mas minha voz saiu em tom de dúvida.
- Ah, vamos sim cara.

Como dizer não para aquele menino? Aquela voz doce dele inebriava os meus pensamentos e me fazia agir de forma irracional.

- Hunn... – falei, sem dizer nem sim, nem não.

Peguei meu celular e acertei meu despertador para 5h45min.

Guilherme deu um sorriso lindo e inexplicavelmente eu me senti recompensado, vendo aquela alegria meiga no rosto dele.

Ele entrou debaixo do meu lençol e me abraçou.

Ficamos de conchinha, com Guilherme atrás de mim.

Eu conseguia sentir todo o calor do corpo do meu primo. Era tão gostoso ficar naquela posição com ele.

Após certo tempo...

- Tá ficando quente aqui. – ele falou sorrindo.
- É, um pouco.

Então, para a minha surpresa, Guilherme começou a tirar a camisa e o short.

- O quê você está fazendo? – perguntei.
- É que tá quente cara.

Guilherme, agora, estava pelado atrás de mim, em seguida avançou sobre mim.

- Você não está com calor? – ele perguntou.
- Um pouco. – falei sem graça. – Espera, o que você tá fazendo?
- Tirando a sua roupa, você vai se sentir melhor. – ele disse todo bonitinho.

Hesitei por um momento, mas não ofereci muita resistência a ponto de impedi-lo.

Ele tirou minha camisa e depois eu o senti puxando meu short para baixo, deslizando sua mão pela minha coxa para poder tirar meu short.

Ficamos os dois nus. Um se aquecendo no corpo do outro. Eu sentia o pênis duro dele tocar meu bumbum, aquilo me deixava excitado, deixava meu pau duro.

O pau de Guilherme era grande e ficava roçando entre as minhas nádegas, explorando o caminho para a caverna, me deixando louco de tesão. Eu sentia a cabeça do pau dele deslizando pela minha bunda, provocando os mais diversos frissons em mim.

Ele me abraçou com mais força e cochichou no meu ouvido:

- Eu quero dormir agarradinho assim, pode? – ele pediu
- Acho que pode. - falei

Fechei os olhos e fiquei curtindo aquele abraço gostoso.

De repente, eu tinha dormido.

Acordei assustado às 05h45min da manhã, com meu celular gritando no meu ouvido. Eu e Gui tínhamos dormido abraçadinhos.

- Guilherme, você tem que ir para a sua cama. – eu falei.
- Annn? – resmungou Gui. – Só mais cinco minutinhos, tá tão bom aqui.
- Não, Guilherme, meu pai. Você tem que descer para a sua cama. Lembra?
- Não quero. – ele rosnou com voz de sono. – Quero ficar aqui com você.
- Anda Guilherme, a gente não tem tempo pra isso véi.
- Só se você me chamar de Gui, senão não vou. – ele disse emburradinho.
- Gui... Por favor... Meu pai...
- Esstá bem... Esstá bem... – concordou e desceu para a cama dele.
- E veste a sua roupa!

Senti um vazio quando ele desfez o abraço. Vesti meu pijama e fiquei contemplado Gui sonolento na cama dele. Tive vontade de descer pra cama dele e abraçá-lo. Mas eu não podia.

Algum tempo depois entrou meu pai no quarto, de novo cantando
“Meu Mundo e Nada Mais”.

Era engraçado, aquela música me fazia lembrar aquela novela das seis
”Anjo Mau”. Acho que era tema do personagem Rodrigo, sei lá, não tinha certeza, eu era pequeno quando a novela passou.

E enquanto a gente não levantasse da cama, meu pai continuava a sua performance.

“Eu queria tanto
Estar no escuro do meu quarto
À meia-noite, à meia luz
Sonhando!
Daria tudo, por meu mundo
E nada mais...”


- Pai, essa música aí você tem que cantar para quem você quer que durma e não para quem você quer que acorde. – eu falei.

Fui tomar meu café-da-manhã, quando fui para o banheiro escovar meu dentes, Guilherme estava lá dentro.

- Ah, desculpa, não sabia que você estava aqui dentro véi.
- Tudo bem. Não tem problema não.

Ele estava de frente para o espelho, fazendo a barba. Mal parecia aquele rapaz playboyzinho de 19 anos. Ele ali parecia um homem. Minhas pernas até bambearam um pouquinho ao vê-lo passando a gilete, transpirando masculinidade.

- Pode ficar a vontade. – eu falei. – Eu vou arrumar minha mochila, eu escovo meus dentes depois.

Passei a aula distraído, a imagem de Guilherme não saia da minha cabeça.

Quando foi de tarde, meus colegas me chamaram para ir ao clube, o dia estava com um sol bonito.

- Chama seu primo para ir com você também. – mandou minha mãe. – Cadê a educação que eu te dei?
- Mas ele não tem sunga. – eu falei.
- Você empresta seu calção pra ele. – disse minha mãe.

Sem embaraço, fomos eu e Guilherme para o clube encontrar com meus amigos. Eu tinha emprestado para ele uma bermuda que eu as vezes usava como calção.

Chegando no clube não foi preciso muitas apresentações, meus colegas já conheciam Guilherme da pelada aquele dia.

- Eu não vou ficar muito tempo não. Vocês estão esquecendo que tem vestibular? – eu falei.
- Ele é sempre chato assim? Até dentro de casa? – perguntou Otávio para Guilherme.
- Hummm... Pior que é, cara. – falou rindo meu primo. – Mas ele sabe se render a uma boa aventura de vez em quando. Não é sempre que ele é chato assim.

Na hora fiquei levemente corado, obviamente meus colegas não tinham percebido, mas Guilherme estava fazendo referência a eu ter dormido de conchinha com ele.

Fomos para a área da piscina e puxamos umas cadeiras para gente.

Tiramos as camisas, quem estava de sunga (que era o meu caso) tirou a bermuda e ficamos ali, tomando sol e olhando para as garotas que estavam na piscina.

De todos ali, Guilherme era o que tinha o corpo mais desenvolvido. Portanto, não demorou muito para que ele começasse a chamar a atenção das menininhas do clube. Além do corpo definido, ele era bonito também, então como não chamar a atenção? Sem contar aquela pinta sexy que ele tinha perto da boca.

Quando eu percebi, já havia várias garotas cochichando e dando risadinhas abafadas, olhando em direção a Gui.

Atiradas! Isso sim!

- Aquela loirinha é a mais gostosa. – falou Otávio.
- Pow, é mesmo. – concordou Flávio. – Olha o peitão dela véi.
- Cara, ela é maneira mesmo. – disse Guilherme, entrando no assunto.

Olhei para ele um pouco perplexo, sem acreditar muito bem que ele tivesse feito aquele comentário.

- Pow Guilherme, ela tá olhando para você e tá sorrindo. – falou Flávio. – Chega lá, vê qual é.
- É mesmo véi. Ela tá dando meio mole pra você mesmo. – concordou Otávio.
- Será cara? Mas ela esstá com uma amiga ali. Vem comigo pra fazer sombra pra amiga dela enquanto eu converso com ela.
- Aquela gordinha ali? – indagou Otávio. - Nem rola.
- Cara, só pra dar uma assistência. – pediu Guilherme.
- Tá... Você vai ficar me devendo essa.

Os dois se levantaram. Eu fiquei observando com era linda as costas do meu primo, ele ficava extremamente sedutor com aquela minha bermuda preta.

Ele esticou os braços para o alto, mostrando as axilas e fazendo charme para a garota loira.

Ele e Otávio mergulharam na piscina e com um gingado de quem não quer nada foram se aproximando das garotas. A loirinha era realmente muito bonita, mas pelo jeito ordinária, toda fácil pra cima do meu primo...

Não foi com muita dificuldade que os dois conseguiram estabelecer um diálogo com as duas. Não dava para escutá-los, mas dava para vê-los do outro lado da piscina.

A loirinha tava toda assanhadinha pra cima do meu primo.

Piriguete safada

Mas espera... Por que eu estava sentindo raiva da loirinha? De repente eu percebi que eu estava meio enciumado em relação ao meu primo. Por que aquela loirinha dando em cima do Guilherme estava me incomodando tanto?

Megerinha filha-de-uma-puta, vai procurar outro, que esse já tem dono!

Eu estava assustado com os pensamentos que eu estava tendo.

Não conseguia nem olhar, ela estava apertando o braço do Gui, devia estar exclamando como que o braço dele era gostoso. Meu primo também, vou te falar, estava todo exibidinho pra ela.

- Vocês vão todos arder no inferno. – falei para meus colegas que estavam do meu lado.
- Quê você tá falando Marcos? – eles perguntaram.
- Esse sol rachando na cabeça de vocês... Vocês não vão passar protetor não?
- Véi, as vezes eu me pergunto se você não é a minha mãe disfarçada e infiltrada entre a gente, nos espionando.
- Deixa de ser besta, Flávio.
Quem avisa... Amigo é. Nunca ouviu o ditado?

Peguei meu protetor na mochila e comecei a passá-lo pelo meu corpo, tentando pensar em outra coisa que não Guilherme.

Guilherme e a loirinha se afastaram de Otávio e da menina gordinha, foram para um outro canto da piscina e começaram a conversar a sós. A loirinha tava comendo na mão do meu primo.

Quando eu menos esperava, Guilherme já estava lascando um baita beijo na guria, ali na piscina, na frente de todos. A menina tava mó derretida nos braços dele.

- Pegador o seu primo hein... – comentou Flávio. – Talvez você esteja precisando ter umas aulinhas com ele, hein!?
- Eu tenho namorada seu idiota. Esqueceu? – mas talvez era eu que tivesse esquecido desse detalhe.
- Ah é. Foi mal...

Guilherme e a loirinha estavam dando uns amassos ardentes, beirando o imoral, ainda mais se fosse levar em conta que havia famílias ali no clube.

- Pow, mandou muito bem seu primo véi. Aquela loirinha é muito gatinha. – falou um outro colega meu.

Eu já estava ficando de saco cheio desses comentários e dessa pagação de pau pro meu primo.

- Eu vou no banheiro que eu tô precisando dar uma mijada. – falei e levantei da cadeira.

Ao invés de ir no vestiário da piscina, resolvi ir no vestiário do ginásio, para andar um pouco e me distrair,
espairar a cabeça.

Entrei no vestiário e fui no mictório dar uma mijada.

Quando eu estava indo lavar a minha mão, eis que surge Guilherme entrando no banheiro.

- Oi. – ele falou, soltando aquele sorriso irresistível dele.
- Que você tá fazendo aqui? – perguntei indiferente
- Te segui. – ele disse.
- Ôôô imbecil, não perguntei como você chegou, perguntei o que você veio fazer.
- Ué...
Ôôô imbecil... – ele falou imitando a minha voz. – Eu vim usar o banheiro, não é óbvio?
- Certo... Fica a vontade.

Ele então correu até mim e me agarrou pela cintura, me dando um beijo no pescoço.

- Mas é claro que eu vim te ver, meu
Dodói – ele falou, todo chamego.
- Sai pra lá. Eu não sou veado. – eu falei.
- Eu também não sou e daí? – e voltou a me agarrar.
- Eu tô falando sério Guilherme. – exclamei. – Volta lá pra sua loirinha.
- Ráa!!!! Eu sabia!!! – ele disse com cara de triunfo.
- Sabia o quê? Eu hein.
- Você ficou com ciúmes! Eu sabia!
- Eu? Ciúmes de você? – falei rindo. – Você tá doido?
- Ficou sim, tenho certeza.

Então ele me puxou para mais perto e sussurrou no meu ouvido.

- Não se preocupa não que eu sou só seu, meu
Dodói. Eu fiz aquilo só pra te testar.

Eu simplesmente não conseguia resistir a forma como Guilherme me pegava e cochichava as coisas no meu ouvido, eu tentava resistir, mas eu não conseguia. Era em vão tentar escapar da sedução daquele garoto, ele tinha algum feitiço, não era possível.
O que ele tinha?

Aos poucos ele foi me empurrando mais para dentro do vestiário.

Guilherme me empurrou para dentro de um dos box de chuveiro do vestiário e me colocou contra a parede. O corpo dele molhado de piscina me dava ainda mais tesão, ele ficava ainda mais gatinho com o cabelo molhado e com a cara de mais safado.

Ele me pressionou contra a parede e começou a me beijar, suas mãos percorriam o meu corpo, ora apertando a minha cintura, ora apertando as minhas coxas e ora apertando a minha bunda.

Eu me deliciava com aqueles lábios de morango, tinham gosto de paraíso.

O meu pau começava a latejar dentro da minha sunga e eu começava a sentir o pau de Guilherme crescer dentro do calção. Pouco tempo depois os dois paus já estavam duros.

Eu me sentia impotente com aqueles beijos do meu primo. Era como se ele me possuísse. Dava vontade de não parar nunca.

Até o cheiro de cloro da piscina que estava no corpo dele estava me dando tesão.

Então ele parou o beijo.

- Você quer? – ele perguntou.

Não respondi. Fiquei apenas olhando com cara de tacha pra ele.
Quero o quê.

Diante do meu silêncio, que ficou parecendo uma concordância à pergunta dele, Guilherme delicadamente começou a empurrar a minha cabeça para baixo.

Meu rosto ficou
tête-à-tête com o velcro da bermuda preta dele.

Então ele abriu a bermuda e, por cima da cueca, tirou seu pau duro para fora.

Eu fiquei olhando aquele magnífico instrumento na minha frente.

Com delicadeza ele foi empurrando minha cabeça em direção ao seu pau que se erguia bem na minha frente.

Meus lábios tocaram na masculinidade de Guilherme. Ele então forçou a entrada. Primeiro entrou a cabeça e depois foi entrando o resto.

- É só você imaginar que é um pirulito,
Dodói. – falou Guilherme.

O pirulito estava bem duro. Eu lambia igual uma criança, passando a língua em cada detalhe.

- É só não encostar o dente no pirulito. – falou Guilherme.

Eu via a expressão de prazer na cara do meu primo e aquela satisfação no rosto dele fazia eu me sentir bem.

Tirei meu pau para fora da sunga e comecei e me masturbar enquanto chupava aquela pica grossa e linda do meu primo.

Guilherme começava a gemer baixinho.

- Isso
Dodói... Assim... Isso... Ahhh...

Começava a sair uma babinha do mastro de Gui, tinha um gosto meio doce e meio azedinho.

- Não para não
Dodói. – pedia Guilherme. – Isso... Ahhh...

Senti as mãos de Guilherme segurarem o meu cabelo e ele começou a socar o pau dele dentro da minha boca, acelerando cada vez mais o ritmo.

- Ahhh... Ahhhh!!! – ele gemia.

As coxas dele batiam contra os meus ombros.

Eu não agüentei e acabei gozando enquanto sentia o pau dele na minha boca.

A velocidade com que o pau dele deslizava pelos meus lábios era cada vez maior.

Ele foi aumentando o ritmo até chegar o ápice.

- Ahhhhhhhhhhhhhhhhhhhh. – gemeu

E eu senti a porra dele invadir a minha boca. Foi uma ejaculação tão grande que até transbordou um pouquinho pelo canto da minha boca.

Eu não sabia o que fazer com aquele liquido estranho e espesso dentro da minha boca, então acabei engolindo.

Guilherme encostou na parede aliviado, ainda ofegava um pouco, como se tivesse acabado de correr alguns quilômetros.

Ele ficava tão lindo ali encostado na parede...

Eu me levantei e fiquei olhando para ele. Ele deu um sorriso alegre.

- Você foi maravilhoso
Dodói. – ele disse e avançou para me dar um beijo.

Enquanto nossas línguas se namoravam, senti uma água começar a bater em minha cabeça.

Abri os olhos e percebi que Guilherme tinha ligado o chuveiro do box. Ficamos nos beijando ali debaixo do chuveiro, debaixo da água.

Mais tarde quando chegamos em casa, Guilherme veio falar no pé do meu ouvido.

- Eu quero tomar banho com você! – ele disse, fazendo aquela carinha de carente.
- Num dá véi. – eu respondi. – Obviamente alguém vai perceber.
- Chato!
- Ué, quê que eu posso fazer?

Fui tomar meu banho primeiro.

Antes de entrar no chuveiro, assentei na privada e comecei a me masturbar pensando em Guilherme, na boca de morango dele, nos braços fortinhos dele, nas pernas e no peitoral. De repente comecei a imaginar Guilherme de quatro pra mim, abrindo a bundinha e mostrando o cuzinho dele pra mim. A imagem do cuzinho de Guilherme na minha cabeça me excitou tanto que imediatamente depois eu gozei.

Após isso, comecei a me sentir arrependido por ter batido uma punheta pensando no meu primo. Eu nunca tinha me masturbado pensando em homem, fiquei com nojo de mim mesmo e prometi pra mim próprio não fazer mais aquilo.

Terminei meu banho e fui para meu quarto.

Quando entrei no quarto, Guilherme estava todo fofo assentado na cama.

- Que é isso aí? – perguntei.
- Game-Boy – ele flou todo inocente.
- O antigo?
- Sim. Eu gosto dessas coisas mais clássicas. Esses vídeo-games mais novos nem curto muito

- Saquei. – respondi. – E que jogo você tá jogando aí?
-
Pokémon Red. – ele falou.
- Hun... Pokémon? – eu perguntei.
- Sim. E não precisa fazer essa cara de mané que o jogo é muito maneiro. – disse Guilherme.
- Eu lembro que eu via Pokémon no Cartoon Network quando eu era criança. – falei meio nostálgico. – E passava na Record também, no programa de Eliana. Passou rápido o tempo, eu gostava
pakas do desenho. Tinha a equipeRocket, a rivalidade entre o Ash e o Gary, a Misty, as insígnias...

Quando eu me dei conta, eu já estava empolgadíssimo no assunto sobre Pokémon e eu simplesmente não parava de falar. O desenho me lembrava os tempos da minha pré-adolescência. Pokémon tinha marcado toda uma época. Mas eu nunca tinha jogado o jogo de Game Boy Color.

- Eu lembro que o Marcelo assistia comigo e ele ficava cantando a música de abertura. Como é que era mesmo a música? – perguntei.
- Ah não lembro direito. – respondeu Guilherme.
“Pelo mundo viajarei...” acho que o começo era assim.
- Ehh – falei empolgado. – Peraí que agora eu preciso ver essa música de qualquer jeito.

Liguei o computador ansioso.

Procurei a música na internet e achei a canção num site de fãs de Pokémon.

Escutei a canção balançado a cabeça, recordando os velhos tempos...

Eu cantava baixinho junto com a música.

”Esse é meu jeito de viver
Ninguém nunca foi igual
A minha vida é fazer o bem vencer o mal
Pelo mundo viajarei tentando encontrar
Um pokemon e com o seu poder tudo transformar...
[Pokemon]
Temos que pegar [Isso eu sei]
Pegá-los eu tentarei
[Pokemon]
Juntos teremos que o mundo defender
[Pokemon Temos que pegar]
Isso eu sei
Pegá-los eu tentarei
Vai ser grande a emoção
[Pokemooooon]
Temos que pegar, temos que pegar!
[Pokémon]”

- Vem cá, que eu te ensino a jogar o jogo. – falou Guilherme. – Você precisa saber inglês para poder ler as coisas que aparecem.
- Tá, eu sei, fiz CCAA durante 8 longos anos da minha vida. Aquele lugar faz lavagem cerebral na gente... – falei balançado a cabeça e afastando as recordações sinistras que eu tinha do lugar. – Mas esse jogo não é meio infantil não?
- Não cara. É RPG, você vai gostar. Acredita e mim.

Assentei ao lado de Guilherme, ele me entregou o Game-Boy e começou a me dar algumas explicações por alto de como funcionava o jogo.

- Bom, acho que agora você já sabe mais ou menos como que funciona o jogo, eu vou ir tomar meu banho agora. – falou Guilherme.
- Tá. – falei, mas com os olhos concentrados na tela do Game-Boy.

Guilherme se levantou da cama e saiu do quarto.

Fiquei entretido jogando o vídeo-game. Vinte minutos depois entrou Guilherme de volta no quarto, toalha enrolada na cintura, cabelo molhado e espetadinho, todo limpinho e cheirosinho do banho.

Ele fechou a porta e tirou a toalha, ficando pelado na minha frente para vestir sua roupa.

Porém eu nem dei muita atenção, eu estava focado no jogo. Guilherme pareceu desapontado pela falta de holofote nele.

- Mas você curtiu mesmo o jogo hein
Dodói. – ele exclamou, assentando do meu lado só de cueca e nada mais.

O cheirinho de banho tomado em Gui era delicioso.

- É... – falei, ainda sem tirar os olhos do jogo.

Guilherme esticou os olhos para a tela do vídeo-game.

- Você já tá ai? – ele indagou. – Tá indo bem hein.
- Acho que sim. – eu disse, concentrado no jogo.

Guilherme sorriu.

- Você fica muito lindinho concentrado no Game-Boy, sabia? – ele falou.
- É? – falei sem graça, ficando um pouco corado.

Guilherme ficou me contemplando durante algum tempo até não resistir e avançar na minha direção para me dar um abraço bem gostoso.

- Você quer ser meu Pokémon? – ele perguntou.

Ele me derrubou na cama e nós trocamos um gostoso e rapidinho beijo.

- Peraí, deixa eu salvar o jogo. – falei, pegando o Game-Boy.
- Cara, você deve me achar muito bobo... – falou Guilherme.
- An? Claro que não véi, por que você acha isso?
- Sei lá. – ele disse, passando a mão no cabelo. – Sabe, as vezes, eu mesmo me acho idiota quando estou com você. Quando estou perto de você eu fico agindo igual um adolescente boboca apaixonado... Fico me sentindo... Fico me sentindo... Ah, deixa pra lá...

Eu olhei para meu primo com ternura.

- Você fica se sentindo o quê? – perguntei. – Fala ow, eu quero saber.

Guilherme fez uma pausa. Ficamos um olhando para o outro.

- Eu fico me sentindo seu namorado. – ele disse, desviando o olhar para o chão e pela primeira vez eu vi Guilherme ficar vermelho.

Então escutei a empregada bater na porta.

- Marcos, telefone, é a Monise. – falou Cintia, a empregada lá de casa.

Levantei e sai do quarto, abandonando Guilherme na cama.

- Oi amor, como é que você tá? – perguntei. – Como é que estão as coisas aí?
- Ah lindo, vovô tá muito deprimido, não tá querendo fazer nada. Os médicos deram a noticia que vovó talvez nunca saia do coma...
- Poxa, eu sinto muito linda...
- Aí a gente resolveu ficar mais tempo aqui, por causa do vovô. Vou ficar aqui até a data do vestibular.
- Claro, claro. – falei.
- Mas tô com muita saudade de você! – ela falou.
- Eu também linda.

Ficamos mais uns 10 minutos de melação no telefone e depois eu me despedi dela.

Resolvi ir assistir televisão, não queria ver Guilherme na minha frente, minha cabeça estava muito embananada

Minha mãe me chamou para jantar.

Vi Guilherme chegar na sala de jantar tentando disfarçar os olhos inchados.

Ficou um clima estranho entre a gente.

Depois do jantar Guilherme ficou na sala jogando seu
Pokémon Red. Eu fui para o meu quarto usar computador. Fiquei conversando com meus colegas no MSN, de repente vi que tinha um e-mail novo pra mim. Num primeiro momento achei que fosse um e-mail de Monise me dando noticias. Mas logo vi que o remetente era Guilherme. Ele tinha me mandado o e-mail depois que eu tinha saído para atender o telefonema de Monise.


“Marcos,
Antes de qualquer coisa, quero te pedir desculpas por estar usado o seu computador sem ter pedido a sua permissão. Mas é que não achei outra maneira para falar com você, talvez eu seja muito covarde para dizer pessoalmente...
Quero me desculpar por ter ficado enchendo o seu saco, você está sendo muito atencioso comigo e me tratando muito bem na sua casa, estou envergonhado de ter ficado fazendo brincadeiras de mau gosto com você.
Não quero que a memória da nossa amizade na infância fique prejudicada.
Espero que possamos continuar conversando normalmente. Eu não voltarei a fazer aquelas brincadeiras.
Queria dizer que te admiro muito e que você é uma grande pessoa.”



Confesso que fiquei mexido ao ler aquele e-mail. Deitei na minha cama, abracei meu travesseiro e fiquei pensando em Guilherme, pensando em como eu ficava gratuitamente feliz ao vê-lo alegre e mostrando aquele sorriso dele pra mim.
Então por que eu estava sentindo um aperto no coração?

Será que era porque eu não ia mais sentir o calor do corpo de Gui? Será que era porque eu não ia mais poder provar daquela boca de morango?

Voltei para o computador e reli mais umas três vezes o e-mail de Guilherme, sentindo uma compressão no estômago enquanto percorria as palavras que ele tinha escrito.

Foi chegando a hora de dormir. Guilherme entrou no quarto, abriu a bicama e deitou.

- Eu vou ficar jogando Pokémon. – ele falou. – Quando você for dormir, você me avisa.

Eu fiquei no MSN mais alguns minutos e depois falei que ia dormir, Guilherme desligou o Game-Boy e logo em seguida eu apaguei a luz e fui para a minha cama.

Senti um vazio, fiquei olhando Guilherme deitado, torcendo para que ele subisse para a minha cama, mas ele não subiu. Fiquei com vontade de descer para a cama dele, mas eu era muito orgulhoso.

Dormi sentindo um vazio no coração.

Acordei no dia seguinte, eu e Guilherme conversávamos, mas sem qualquer intimidade, como se só fossemos parentes mesmo, era apenas conversa cortês, de educação, nada além disso.

Isso me machucava e ao mesmo tempo me deixava confuso.
O que eu estava sentindo por Guilherme? Eu tinha medo de pensar na palavra que começava com a letra “A”.

Quando foi no final da tarde, a empregada já tinha ido embora e meus pais e meu irmão precisaram sair. Ficamos eu e Guilherme sozinhos em casa...

Tava aquele clima estranho entre a gente. Guilherme estava lendo "O Príncipe" do Maquiavel deitado na cama e eu estava na minha bancada estudando.

Entretanto eu simplesmente não conseguia me concentrar.

Parei de fazer o exercício de matemática que eu estava fazendo e comecei a encarar Guilherme. Depois de algum tempo ele percebeu.

- Que foi? – ele perguntou de forma seca.

Fiquei parado olhando para ele, sem responder, criando coragem para dizer o que eu queria dizer.

Finalmente consegui reunir força suficiente para abrir a boca.

- A resposta é sim. – eu falei.

Guilherme me olhou perplexo.

- Como que é?
- Você tinha me perguntado se eu queria ser seu Pokémon e eu não tinha respondido. Tô respondendo agora. – falei sem graça. – Eu quero ser o seu Pokémon.

Guilherme abriu um imenso sorriso ao ouvir aquelas palavras, largou o livro na cama e veio correndo na minha direção.

- Ahh
Dodói... – ele falou, me levantado no ar enquanto me apertava num forte abraço.

Algumas lágrimas começaram a descer do rosto dele.

- É desejei tanto ouvir isso de você. – ele falou. – Cara, não consigo acreditar que é verdade.
- Nem eu acredito véi... Mas você mexe comigo, porra, de um jeito que eu não sei explicar...
- Eu serei o melhor dos treinadores. – ele falou sorrindo, fazendo referência à Pokémon.

Então nossas línguas se encontraram novamente e pareceu que havia anos que eu não sentia o sabor daquele beijo maravilhoso.

Eu sentia o toque da mão de Guilherme em meu rosto.

- Meu
Pokémon Dodói. – ele sussurrou sorrindo no meu ouvido.

Ficamos curtindo aquele momento romântico durante alguns minutos.

- Espera aí. – falou Gui com cara de quem tava tramando algo.

Ele foi em passos rápidos até a sua mochila Redley e tirou de dentro dela um estojo de CD. Depois ele caminhou em direção ao meu computador.

- Esse CD aqui foi um colega meu lá do Rio que gravou pra mim. – ele explicou. – A família dele é de Fortaleza. São músicas de algumas bandas lá do Ceará. São bem legais.

Guilherme e suas excentricidades, eu pensei.

Ele selecionou a faixa número sete do CD. (Na época essa música nem era conhecida, hoje em dia ela está mais
“famosinha”, teve algumas bandas nacionalmente mais expressivas que regravaram ela e tal).

Começou a sair um gingadinho gostoso das caixas de som do meu computador.

- Vem que eu vou te ensinar a dançar forró! – falou Guilherme, pegando em minhas mãos.

Era estranho e ao mesmo tempo gostoso ficar de mãos dadas com o meu primo.

- É só você deixar eu te guiar. – explicou Gui.
- Tá, eu vou tentar, mas eu sou meio desastroso quando o assunto é dançar. – e eu era mesmo!
- Eu vou te ensinar e você vai ficar fera. – ele sorriu.

Um dos braços de Gui estava inclinado, de mão dada com a minha mão. O outro braço dele, ele laçou em minha cintura, puxando meu corpo para junto dele.

- Agora coloca o seu outro braço em cima do meu ombro. – falou Guilherme e eu fiz o que ele pediu.

Então ele começou a me ensinar a dançar forró, enquanto meu computador tocava
“Chora, Me liga, Implora”

“Não vai ser tão fácil assim
Você me ter nas mãos
Logo você que era acostumada
A brincar com outro coração...”


A música tinha uma melodia gostosinha...

Depois de um tempinho e com muito esforço, eu já tinha pegado o jeito da dança e estava conseguindo dançar de forma razoável. Era uma sensação tão agradável dançar agarradinho com Guilherme e deixar que ele me guiasse, embalado pela música.

Escutamos o barulho do carro do meu pai chegar e então desligamos a música, fomos para sala e ficamos vendo televisão. Nós dois rindo a toa... Era tão bom estar de bem com Guilherme.

Mas tinha o problema da Monise...

O mais coerente era eu terminar o meu relacionamento com ela. Porém eu não podia fazer isso agora, primeiro porque era falta de educação terminar por telefone e segundo porque ela estava num momento difícil, a avó estava em coma e o avô estava em depressão e ela era muito ligada aos avós, sem contar que tinha o vestibular chegando aí.

O mais sensato era esperar o vestibular passar e foi o que eu decidi. De noite, na hora de dormir, conversei esse assunto com Guilherme, só para sabe a opinião dele.

- Acho que depois do vestibular é melhor mesmo. – concordou Guilherme.

Depois disso ele ficou me secando com os olhos...

- Você quer falar alguma coisa? – eu perguntei.
- Bom cara... – disse Gui encabulado. – Você então não é mais namorado da Monise, certo?
- Sim. – respondi.
- Então cara... – ele ficava lindo vermelho. – Isso quer dizer que você tá solteiro... não é verdade?
- Sim.

Ele então olhou no fundo dos meus olhos de uma forma como ele nunca tinha olhado antes.

- Você quer ser meu namorado? – ele perguntou.

Eu retribuí aquele olhar com a mesma intensidade.

- Quero muito. – respondi.

Ele me olhou com ternura.

- Eu te amo meu
Pokémon Dodói... Você faz eu perder a referência, você faz eu perder o chão, você me faz perder o bom senso! Cara, você me deixa perdidinho...
- Eu também te amo, meu
Pokémon Gui.

Fomos para a minha cama dormir abraçadinho, peladinhos debaixo do lençol.

- Espera! – exclamei. – O despertador!
- Ah é.

Peguei meu celular e coloquei o despertador para 05h45min.

Deitamos de conchinha, meu primo atrás de mim, com uma de suas pernas em cima da minha coxa, me cobrindo.

Fechei os olhos e dormi profundamente, no conforto do abraço de Guilherme.

05h45min tocou meu celular, nos despertando. Dessa vez Gui foi para a cama dele sem eu precisar pedir, foi bonitinho.

Pontualmente às 06h00min entrou meu pai cantando
“Meu Mundo e Nada Mais”. Eu não estava mais agüentando aquela música.

- Pai, você não quer voltar para os hinos, não? – perguntei.
- Não. – respondeu meu pai de forma simples e objetiva, em outras palavras, curto e grosso.

Na aula eu estava alheio, não conseguia acompanhar as explicações dos professores. A única coisa que eu conseguia pensar era que agora eu tinha um namorado. Um namorado muito gato! Só meu, todo meu!
Nada de loirinhas...

De tarde quando entrei no meu computador, encontrei mais um e-mail de Guilherme. Dessa vez uma linda declaração de amor que me deixou todo aéreo.

- Como que você me mandou o e-mail dessa vez? – eu perguntei intrigado.
- Mas meu namorado é um
Pokémon muito do curioso, meu deus! – exclamou Guilherme sorridente.
- Ah...
- Eu passei numa lan house depois da aula. – ele falou.

O que ele tinha escrito tinha sido tão lindo que eu não queria deletar do meu e-mail. Porém ao mesmo tempo eu não podia deixar na minha caixa de e-mail, porque Monise tinha a minha senha. Era altamente improvável que Monise fosse acessar o e-mail, ela tinha a senha e nunca tinha entrado no meu e-mail, agora que ela estava lá preocupada com outras coisas, a possibilidade dela querer entrar no meu e-mail parecia ainda mais remota. Mas em todo caso, seria de boa precaução tirar o e-mail dali.

Resolvi salvar o e-mail de Guilherme no meu pen drive, aproveitei e salve o e-mail anterior que ele tinha me mandado também, aquele que ele dizia que ia parar com as brincadeiras, queria ter aquele e-mail salvo também. Depois de ter transferido os dois textos, apaguei os dois e-mails da minha caixa de mensagens.

Passei o resto da tarde jogando Pokémon Red, eu estava viciado naquele jogo. Guilherme ficou lendo o tal do O Príncipe.

Quando foi chegando perto de 18h00min...

- Terminei! – anunciou Gui. – Agora já posso ser um soberano!

Ele veio até a cadeira do computador onde eu estava assentado jogando o Pokémon e me abraçou por trás, cheirando o meu cangote e dando um beijo no meu pescoço.

- Véi, você não pode ficar fazendo essas coisas assim. – eu falei. – Se entra alguém?
- Cara, eu faço isso de propósito, só pra você fazer essa carinha de preocupação...- ele disse e depois acrescentou. - Vai soar muito gay isso que eu vou falar agora... Mas vou dizer mesmo assim, porque não consigo achar outra palavra para usar... ... Você fica muito
fofo com essa carinha de preocupado.

Trocamos um selinho, depois ficou silêncio, um olhando para o outro, um clima esquisito entre a gente. Acho que nós dois estávamos pensando a mesma coisa. Como seria o nosso futuro? Quer dizer, depois do vestibular Guilherme ia ter que voltar para o Rio...
O que ia acontecer com a gente?

Acho que nesse momento Guilherme leu minha mente.

- Vamos fugir... – ele falou, soltando sem nexo a frase no ar.

- Fugir? – indaguei, fingindo não entender.

Guilherme olhou sério pra mim.

- Marcos... – estranhei, ele não tinha o costume de me chamar de Marcos quando estávamos sozinhos.
- Hunn? – perguntei.
- Marcos, eu sei que parece meio cedo pra eu dizer isso, mas eu quero viver o resto da minha vida com você. Você é o
cara!
- Véi... Isso que eu vou dizer agora vai parecer gay também, mesmo assim também vou falar... Você é muito
fofovéi... Eu quero você pra sempre também, eu sinto isso dentro de mim.

Minha vontade era de apertar Guilherme todo, ele com aquela carinha meiga e abrindo o coração pra mim.

- Vem cá. – eu falei e deitamos na cama, um de frente para o outro, um fazendo carinho no rosto do outro.

Passaram-se minutos num silêncio angustiante.

- Eu falei sério. – ele disse por fim.
- Eu também falei. – eu respondi.
- Não cara. Eu estou falando em relação a fugir. Eu não quero ficar sem você.
- Ah...

A idéia de fugir era recebida com certa hesitação pelo meu cérebro. Eu também queria ficar com Guilherme. Mas...
fugir?

Por outro lado, eu sabia que o romance com meu primo jamais seria tolerado por meu pai... E se ele descobrisse, era bem capaz dele pedir para que o comando o transferisse lá pro Acre, só para eu ficar bem longe de Guilherme...

Assentei na cama e Guilherme colocou sua cabeça no meu colo.

Curtindo a presença um do outro, em silêncio, eu fiquei fazendo carinho no cabelo de Gui.

- Eu poderia passar a eternidade aqui, com a cabeça no seu colo, recebendo esse carinho... – disse Gui.
- E eu poderia ficar assim eternamente também, fazendo carinho no seu cabelo e olhando pro seu rosto.

Guilherme ali, no meu colo, parecia tão frágil e tão inocente. Eu sentia vontade de protegê-lo, de cuidar dele.

- Sabe... Eu estava pensando aqui... Lembra daquele projeto que eu tinha falado de abrir uma produtora de eventos no interior de São Paulo? – perguntou Guilherme.
- Lembro.
- Então... Eu acho que eu posso tentar adiantar isso cara... E aí a gente vai morar no interior de São Paulo... Que tal? – disse Gui, virando o rosto pra mim, esperançoso.
- Ehhh... Não sei Gui... Abandonar a minha família? Não sei se eu conseguiria fazer isso véi.

Guilherme voltou seu olhar para o horizonte, pegando na minha mão e levando em direção ao seu cabelo, para que eu voltasse a fazer o carinho que eu estava fazendo antes.

De repente escuto minha mãe batendo e abrindo a porta...

- Marcos, Guilherme, o jantar já está na mesa.

Desesperadamente Guilherme saiu do meu colo e nos afastamos. Foi por um triz que me minha mãe não me pegou fazendo caricias no rosto do meu primo.

Fomos para a sala de jantar. Meu pai ficou secando Guilherme durante a refeição.

- Tá estudando Guilherme? – perguntou meu pai em tom hostil.
- Paulo... – censurou minha mãe.
- Ué, tô só perguntando. – falou meu pai.
- Sim tio. – respondeu Guilherme – Estou estudando.

Houve uma pausa, enquanto meu pai colocava uma garfada de carne e arroz na boca.

- Espero que você não esteja levando o Marcos para o mau caminho. – falou meu pai de boca cheia e de forma mal educada.

Eu engoli em seco aquele comentário.
Levando para o mau caminho?

- Não tio. Pelo contrário. É o seu filho que está me levando para o bom caminho. – disse Guilherme, dando um sorriso pra mim.

Fiquei escarlate na hora.

- Muito bem Marcos. – elogiou meu pai. – Que bom que você está sendo um bom exemplo para o seu primo.

Eu dei um meio sorriso sem dizer nada.

- Quer mais suco Guilherme? – perguntou minha mãe, cortando o assunto.
- Ah, quero mais um pouquinho sim tia Silvia. Obrigado.

Depois do jantar, eu e Gui voltamos para o quarto.

- Eu quero te dar esse livro. – falou Gui, mostrando o livro do
“O Príncipe”
- Ah véi, eu não posso aceitar, você gosta tanto desse livro...
- Mas eu já li ele...
- Mas se você quiser ler de novo?
- Não vou querer.
- Mas se quiser?
- Aí eu te peço emprestado...
- Bom, então tá, valeu. – agradeci. - Vou ler ele depois do vestibular, que aí tenho tempo. Eu te falei que tenho muita vontade de ler esse livro, não falei?
- Falou. É por isso que estou de dando. – falou Guilherme fazendo cara de óbvio.
- Ah sim. Pode colocar naquela prateleira ali. – eu falei, apontando para a minha estante de livros.

Guilherme enfiou “O Príncipe” entre os livros do ”Harry Potter e A Pedra Filosofal” da brilhante J. K. Rowling e o "O Conto da Ilha Desconhecida" do mais brilhante ainda José Saramago.

Eu peguei emprestado
Pokémon Red e Guilherme ficou usando meu computador, enquanto a noite ia se alongando.

- Posso te mandar um e-mail? – pediu Guilherme.
- Pode. – respondi, me debruçando na cama para ver o que ele estava escrevendo.

Guilherme avançou sobre a tela do computador, tapando o monitor da minha visão.

- Não é para você ler agora
Pokémon! – censurou Gui. – Só amanhã.
- Malvado. – falei, fazendo carinha de triste e voltando para o Game-Boy.

O dia de sexta-feira ia chegando ao final. Já eram 23h30 quando decidimos ir dormir.

Entramos sem roupa debaixo do lençol da minha cama. Um fazendo chamego no outro.

Eu sentia o corpo de Gui se esfregar atrás de mim. Em questão de poucos momentos nós dois já estávamos de pau duro.

Guilherme roçava seu pau duro na minha bunda enquanto sua boca de morango enchia meu pescoço de beijos e sua mão acariciava com libido a minha perna.

Aos poucos, percebi a mão dele ir se aproximando do meu pau. Ele começou a fazer carícias no meu saco e depois eu senti o calor de sua mão tocar no meu pau, me fazendo explodir de tesão.

Guilherme começou a bater uma punheta pra mim, enquanto ficava brincando com sua pica na minha entradinha.

Era uma sensação de êxtase. Guilherme me enlevava com o seu perfume atrás de mim, cheiro gostoso de macho que estava me deixando doido e arrepiando os pêlos da minha nuca.

O meu pênis estava estourando de duro.

Senti o calor de Guilherme se desgrudar do meu corpo. Ele levantou da cama e correu até a mochila, depois voltou com um pacotinho numa mão e um tubo na outra.

- O que é isso? – perguntei.
- Não é nada. – ele respondeu e voltou a me beijar e a roçar o seu corpo no meu.

O cacete do meu
Pokémon Gui se comprimia cada vez com mais força contra o meu cuzinho.

Senti ele interromper o amasso, olhei para trás para ver o que tinha acontecido e vi meu
Pokémon vestindo uma camisinha no pau.

Ele delicadamente empurrou meu corpo de volta para frente, para que eu não ficasse olhando.

Depois ele votou com a agarração, movimentando o quadril de forma atrevida como se estivesse me comendo. Enquanto isso, ele continuava me masturbando, minha cabeça estava nas nuvens.

Foi então que eu senti o dedo dele começar a brincar na portinha do meu rabinho. Era gostoso sentir o dedo dele ali. Pouco depois, ele tirou o dedo e voltou com o dedo cheio de um gelzinho frio que ele ficou massageando e espalhando por ali, do lado de fora do meu ânus.

Aquele carinho era extremamente gostoso. Sem aviso, senti ele discretamente ir enfiando o dedo do meio dentro de mim.

Experimentei uma sensação desagradável de invasão, instintivamente tentei repelir aquele objeto invasor do meu corpo. Mas Guilherme manteve-se firme e começou a me distrair com beijos na minha orelha.

O dedo dele foi entrando cada vez mais fundo. Gui começou a mexer seu dedo dentro de mim, massageando meu ânus. Aos poucos, eu fui me acostumando com aquele dedo intruso dentro de mim.

- Que rabinho gostoso, meu
Pokémon Dodói! – exclamou Gui. – Apertadinho!

Guilherme estava ficando cada vez mais tarado. Eu nunca tinha visto ele tão pervertido assim, mas isso só o deixava mais sexy.

- Rebola no meu dedo. – sussurrou Guilherme no pé do meu ouvido.

Fiz o que meu namorado pediu. Comecei a rebolar suavemente no dedo dele.

Devagarzinho a sensação foi se tornando prazerosa. Fui aumento o ritmo com que eu rebolava no dedo do meu primo. Quando eu percebi, eu já estava sentindo uma sensação extremamente gostosa com aquele dedo dentro de mim.

- Isso, rebola mais! – incentivava Guilherme.

Eu estava distraído, quando Guilherme sorrateiramente enfiou o segundo dedo. Tomei um susto e senti uma dor aguda. Joguei meu corpo pra frente, tentando escapar daquilo, mas Guilherme me segurou.

- Calma
Dodói, você vai se acostumar. – ele falou.

Guilherme pegou mais do gel lubrificante e passou em volta do meu ânus, em seguida foi penetrando mais fundo com seus dois dedos dentro de mim.

Ele ficava me fazendo carinho nas costas com sua boca enquanto eu me acostumava com os dois dedos.

- Quando você sentir que já acostumou com os dois dedos, você me fala. – instruiu Guilherme.
- Tá. - falei.

Certo tempo depois:

- Acostumei! – falei, e o tom da minha voz saiu meio infantil, igual quando criança grita pra mãe que acabou de fazer coco,
Mãe, acabeiii!

Senti, então, ele começar a enfiar o terceiro dedo. Intervi na hora!

- Peraeee! O que você tá fazendo véi? – perguntei assustado.
- Vai ser melhor assim. – disse Guilherme, usando tom de quem tem a razão.
- Mas três? Precisa mesmo?
- Você viu o tamanho do meu
garotão? – sorriu Gui.

Fiquei quieto.

Não foi nada fácil me acostumar com aqueles três dedos dentro de mim, mas o carinho e a atenção de Gui ajudaram muito.

Ele cuidadosamente tirou os três dedos do meu ânus e voltou a me pegar de jeito, todo tarado, roçando seu corpo contra o meu.

Ele passou gel lubrificante no seu pau e começou a brincar com seu cacete na minha entradinha.

De repente senti a cabeça do pênis dele entrar em mim. Logo em seguida, ele foi me penetrando progressivamente até enfiar o pau todo dentro de mim. Tive vontade de gritar de tanta dor.

Agüentei o tranco, fazendo o sacrifício de agüentar aquela dor só porque era meu Pokémon Gui que estava ali.

Ele ficou parado com seu cacete duro todo dentro de mim para que eu fosse me acostumando, eu sentia os pentelhos dele encostando na minha bunda.

- Eu te amo! – ele disse.

Doía, mas era de certa forma gratificante sentir que o meu namorado estava dentro de mim, como se nós dois fossemos um só.

Guilherme começou a movimentar docemente seu quadril. O lubrificante fazia com que o pau dele deslizasse sem dificuldade dentro de mim.

Paulatinamente ele foi intensificando o ritmo. Na calada da noite, eu estava sendo literalmente fudido pelo meu primo. Ele estava me fudendo igual eu estava acostumado a fuder Monise. Era estranho não estar no controle da situação. Era diferente estar submisso, mas até que eu não estava achando de todo ruim.

A mão de Guilherme voltou a me masturbar e a foi aí que eu senti uma explosão de prazer. Era uma delicia indescritível sentir a mão de Gui punhetando o meu pau ao mesmo tempo que o cacete dele me arreganhava por trás.

- Não para. – eu pedi, me segurando de tento tesão.

Guilherme aumentou a velocidade.

- Tá gostando, é? – murmurava Gui de forma sacana no meu ouvido
- Tô... Véi, você é muito gostoso... Mete mais... – acabei soltando e depois fiquei um pouco arrependido do comentário, vai que Guilherme me achasse uma puta, eu não queria que ele pensasse isso de mim.
- Você gosta do meu pau? Hãn? Gosta?
- Eu amo seu pau. Seu pau é perfeito... Vai... Não pára...

Estava sendo muito gostoso ser comido de ladinho.

Guilherme trocou de mãos. Passou a masturbar meu pau com a mão direita. E com a mão esquerda ele agarrou minha coxa e levantou um pouco a minha perna.

O pau dele passou a entrar mais fundo dentro de mim. Guilherme agora metia em mim sem qualquer piedade. O pau dele parecia uma viga de aço de tão duro.

A mão dele acelerou o ritmo com que punhetava meu pau. Eu comecei a me contorcer em loucura. Eu estava perto do meu orgasmo, estava ficando difícil segurar. Aquele macho gostoso atrás de mim, me pegando de jeito e me comendo gostoso.

- Ahh... Eu vou gozar... – eu falei, mal deu tempo de terminar a frase e um guincho gigante de porra voou do meu pau.

Quase que no mesmo instante senti Guilherme apertar com mais força minha coxa e soltar um gemido abafado, logo depois ele diminui o ritmo até parar.

- Você é perfeito! – ele suspirou.

Ficamos deitado de barriga pra cima, recuperando o fôlego que tínhamos perdido.

Depois virei para ele e fiquei mirando seus olhos.

- Eu sou a pessoa mais sortuda que existe nesse mundo! – eu falei.

Guilherme sorriu.

- Ahh meu
Pokémon Dodói! Eu é que sou a pessoa mais sortuda do mundo! – ele reclamou. – Você vem em segundo lugar depois de mim...

Exaustos, caímos no sono, os dois deitado de ladinho, desta vez um de frente para o outro.

Aos sábados, meu pai não tinha o costume de entrar no meu quarto para me acordar. Então trancávamos a porta, uma medida de segurança necessária, porque podia dar na cabeça da minha mãe querer entrar no quarto, apesar de ser uma hipótese difícil. Mas caso acontecesse, nós já tínhamos combinado de dizer que eu tinha esquecido de destrancar a porta depois de ter mudado de roupa no dia anterior.

...

Acordei às 9h00min.

Quando abri os olhos, vi que Guilherme já estava acordado, ele estava me olhando todo bobo.

- Sabe o que eu acho? – ele perguntou.
- Não, eu não sei o que você acha. – eu falei, com a voz de quem estava acordando.
- Eu acho que você é um anjo, cara... Sério... Aliás... Eu acho que você é o
MEU anjo. Meu anjo da guarda...

Guilherme sempre com aquele ar de galã dele... Em parte também por causa daquela pintinha que ele tinha perto da boca...

Quando consegui abrir os olhos definitivamente, avancei ávido em direção ao Game Boy Color, louco para continuar jogando a porcaria do tal do
Pokémon Red.

- Cara, você viciou mesmo hein!?.

Olhei torto pra ele.

- Aqui... Me fala uma coisa... Não tem como falar a palavra “mesmo” com o “S’ mais puxado não??? Tô achando que você tá puxando pouco... Por acaso você tá doente? Peraí, deixa eu ver a sua temperatura...

Guilherme me olhou com cara de bosta.

- HÁ-HÁ-HÁ... Muito engraçado... E dá pra você me contar uma piada menos engraçada??? Minha barriga está doendo de tanto rir... – caçoou ele.
- Vou começar a falar
“trem” perto de você...
- Eu tenho uma novidade pra você... Você já fala cara... Você nunca percebeu?
- Eu não! Eu não tenho sotaque. – falei superior.
- Ahh, mas tem sim. Você tem ultra sotaque cara. Mas eu acho o seu sotaque lindo!
- Eu também acho seu sotaque lindo... Mas sotaque de carioca sempre soa metido, sei lá, meio pedante, não sei explicar. Mas eu acho lindo você puxando o “S”. Falo só pra te encher o saco.

De tarde, li o e-mail que meu Pokémon Gui tinha me mandado no dia anterior. Era novamente uma declaração de amor. Uma vez mais, salvei o texto do e-mail dele no meu pen drive e deletei o e-mail da minha caixa de mensagens, aquela velha medida de segunrança.

Acabei ficando inspirado e escrevi um e-mail de amor de volta para Guilherme. Como eu sou uma pessoa que sempre gostou de guardar as coisas, resolvi salvar aquele texto no pen drive também, em seguida deletei o e-mail da caixa de mensagens enviadas.

Passei o resto de sábado estudando, porque a responsabilidade também me tocava.

Quando de noite, ao sair do banho, acabei me esquecendo de levar minha roupa de trocar para o banheiro, então tive que ir para o meu quarto apenas enrolado na toalha.

Ao entrar no meu quarto, Gui estava no computador, ele interrompeu o que estava fazendo e me olhou dos pés à cabeça e em seguida soltou aquele assovio de
cantada.

Ele veio na minha direção para me abraçar. Uma coisa que eu tinha notado era que Guilherme gostava de dar abraços, eu achava aquilo tão lindo...

- Você tá um pecadinho, meu
Pokémon Dodói. – ele falou safado. – Tranca essa porta!

Gui estava com muita carinha de tarado, mordendo os lábios inferiores com os dentes e quase me comendo com os olhos.

- Acabei de ler o e-mail que você me mandou. – ele falou. – Quase chorei, cara.

Fiquei sem graça.

- Pow véi, não precisa debochar...
- Não, cara. Eu tô falando sério de verdade! Eu gostei muito de montão mesmo.

Em seguida, ele me deu mais um abraço.

- Sabe de uma coisa?

Detalhe! Eu odiava esse tipo de pergunta retórica, eu sempre as respondia de forma mal educada. E não era só com Guilherme, com qualquer pessoa.

- Não, eu não sei de
uma coisa. – falei.
- Estou meio nostálgico... – disse Gui.
- É? – (tipo, e daí?)
- É, fiquei lembrando das nossas brincadeiras de crianças... Pensei que a gente podia recordá-las.

Nisso, ele arrancou a toalha da minha cintura e a jogou na cadeira. Agarrou-me pelo pescoço e me roubou um beijo de seda com a língua.

Seguidamente, ele desabotoou a calça jeans e abriu o zíper. Enfiou a mão dentro da cueca e tirou seu pau, que estava meia bomba, para fora.

-
Sir. Dodói, eu o desafio para um duelo de espadas. – ele disse pomposo.

Meu
Pokémon Gui era muito bobo, mas eu adorava essas bobeiras que ele inventava.

- Eu aceito este desafio. – falei sério.
- Que vença a melhor espada! – exclamou.

Começamos a duelar com nossos paus. Em questão de poucos instantes, as duas picas já estavam duríssimas. A brincadeira até podia parecer um tanto ridícula, mas que dava um tesão do caralho, isso dava!

As cabeças de nossos paus se encostavam... Era uma delicia.

Guilherme realmente entrava no espírito do jogo.

- Desista
Sir. Dodói e eu pouparei a sua vida.
- Jamais,
Sir. Gui. – respondi. – Prefiro perder a vida a perder a honra.

A taradisse na brincadeira foi só aumentado. Depois de um tempo, Guilherme já estava totalmente pelado e eu e ele estávamos nos
”atracando” na cama. O desafio das espadas tinha dado lugar a um desafio de lutinha livre.

- Auuh! – exclamou Gui, quando sem querer eu acertei uma cotovelada no rosto dele.
- Ops... Desculpa. – falei.

Foi então que Guilherme pulou por cima de mim e conseguiu me dominar.

- Você tá fudido agora. – ele falou.
- Literalmente? – eu perguntei.

Guilherme me colocou de quatro, pegou a camisinha e tubo de k.y. que estavam na mochila dele ali perto.

- Empina essa bundinha pra mim, vai. – ele falou sedento.

Eu abri mais as pernas e empinei mais um pouquinho a minha bunda.

Ele ficou brincando com a cabeça do seu pau do lado de fora do meu cuzinho. De repente eu percebi que aquilo estava me torturando, que eu queria que ele metesse logo aquela viga de aço dentro de mim e parasse de me provocar. Fiquei surpreso comigo mesmo.

Mais surpreso ainda, quando saíram as palavras da minha boca:

- Mete logo véi, vai, pára de torturar... Mete essa delicia em mim...

Primeiro ele enfiou o cabeção do seu pau em mim. Eu fiquei inquieto, eu queria mais, eu queria sentir o resto daquele caralho dentro de mim. Empurrei meu corpo para trás para que o resto da pica dura de Guilherme fosse entrando em mim.

- Safadinho... – sorriu Gui e começou a bombar a sua viga de aço dentro de mim.

Antes que a mão de Gui começasse a me masturbar, eu mesmo já estava me masturbando freneticamente.

- Isso... Dá gostoso pra mim, dá... Ahh... Isso cara... - gemia Gui; e ele gemia tão bonitinho...

Eu sentia o quadril de Gui ir e vir contra a minha bunda, os pentelhos dele... Até os pentelhos dele me davam tesão.

O ritmo com que ele estava me comendo estava sendo mais intenso do que o de antes.

Eu aumentei o ritmo da minha punheta. Eu não estava suportando mais segurar o meu tesão e então gozei, sujando o lençol da cama com a minha porra.

- ÔHHH
Pokémon, mas já gozou? – indagou Gui
- Eu não consegui segurar...

Guilherme continuava a socar o seu cacete em mim. Mas o meu tesão tinha simplesmente ido embora junto com a porra que tinha saído do meu pau.

Passei a me sentir desconfortável com a situação, mas eu era capaz do sacrifício pelo meu Pokémon.

Não demorou para que Guilherme percebesse meu descontentamento e parasse de meter em mim.

- Posso gozar na sua cara? – ele perguntou com uma expressão de pidão no rosto.
- Pode. – eu respondi rindo.

Eu fiquei deitado de barriga pra cima e Guilherme se aproximou de meu rosto, ficando ajoelhado de pernas abertas na altura do meu peito, com seu pau apontando diretamente para o meu rosto.

Ele começou a se punhetar ali na minha frente. Eu aproveitei a ocasião para tirar uma casquinha do meu namorado, enquanto ele se masturbava, eu ficava acariciando e apertando a bundinha dele.

Uma vontade louca de tocar e acariciar o cuzinho do meu Gui. Mas achei que ele pudesse não gostar, então não ousei avançar além dos apertos na bundinha gostosa dele...
E que bundinha gostosa... Puta-que-pariu!!!

A mão dele continuava a massagear o próprio pênis. Era interessante ver as contorções que Guilherme fazia no rosto enquanto tocava uma punheta, era meigo.

As expressões em seu rosto foram ficando cada vez mais acentuadas, eu entendi que aquilo significava que ele estava se aproximando do orgasmo... Portanto, não foi com muito susto que eu senti o jato de leite quentinho espirrar do pau do meu namorado e acertar a minha cara. Um pedaço escorreu pelo canto da minha bochecha, passando próximo da minha boca.

Limpei aquela melação no meu rosto com a parte das costas da minha mão esquerda.

Guilherme se jogou do meu lado.

Eu olhei para ele com um sorriso melindrado, de repente eu estava me perguntando se Guilherme me deixaria comer a bundinha dele caso eu pedisse. Eu tinha esse pressentimento de que ele não deixaria... De certa forma, senti um incômodo com esse pensamento.

- A gente precisa limpar essa meleca que a gente fez. – eu falei, mantendo o bom humor e mascarando os meus pensamentos receosos.

Dessa vez, tínhamos feito mais sujeira do que da vez anterior...

Levantei-me da cama. Foi só então que eu senti as minhas pernas bambearem. Guilherme tinha me arreganhado bonito. Eu tinha que andar quase que na ponta dos pés e com as pernas abertas.

- Ficou arrombadinho? – caçoou Gui.
- Engraçado pra você que não levou uma pica de 21 centímetros no cu. – falei sem paciência.
- Calma meu
Dodói. – tranqüilizou Gui. – Isso passa rapidinho, amanhã quando você acordar vai estar igual antes.
- É.. – falei categoricamente. – Tá
dodói mesmo.

Guilherme não resistiu, levantou também da cama e veio na minha direção para me dar um abraço por trás.

- Ôôô meu deus! – ele disse fazendo voz dengosa. – Mas que
Pokémon mais dramático esse que eu tenho...

Peguei um rolo de papel higiênico que eu tinha deixado dentro do armário. Passei um pedaço de papel no meu rosto e na minha mão. Depois Gui me ajudou a passar um pedaço na cama, pra tirar o excesso de porra que tinha ficado no lençol quando eu tinha gozado.

- Vem cá, meu emburradinho. – falou Gui, me puxando pelo braço. – Deita aí na cama.

Olhei desconfiado para meu primo, mas deitei na cama mesmo assim.

- De bruço. – ele falou.

Virei minha barriga para a cama.

Gui subiu na cama e ficou por cima de mim. Subitamente senti suas mãos começarem a deslizar pelas minhas costas.

- Fecha os olhos. – ele pediu.

Fechei os olhos. As mãos de seda do meu primo deslizavam de forma suave e firme pelas minhas costas, relaxando os meus músculos.

Eu estava amando Guilherme de um jeito muito intenso. Se não lhe apetecia ser
passivo... Tudo bem... Eu acho que eu era capaz de lidar com isso...

Depois daquela deliciosa massagem, Guilherme deitou-se do meu lado e eu fiquei beijando aquela linda boca de morango dele.

- Ei! – exclamou Gui.
- Quê?
- Eu queria te pedir uma coisa, cara... – falou Guilherme - Mas acho que você não vai querer...
- Pode pedir véi.
- Bem... – Guilherme parecia tímido, era muito lindo.
- Fala ué.
- Eu queria saber se eu podia bater uma foto com você... – e logo em seguida acrescentou rapidamente. – Mas se você não quiser, tudo bem, eu vou entender completamente...

Interrompi a fala dele, colocando meu dedo na boca dele, fazendo gesto para ele fazer silêncio.

- Eu quero. –falei singelo.

Guilherme sorriu alegre. Era sempre uma recompensa ver o sorriso dele.

Guilherme pegou sua câmera fotográfica dentro de sua mochila. (O que não tinha na mochila dele? Eu pensei.)

Aproximou seu rostinho do meu, esticou o braço e bateu uma foto nossa.

- Ah não! – exclamei, olhando a foto na tela de LCD da câmera. – Meu olho saiu torto... Bate outra...
- Você ficou ótimo. – argumentou Gui.
- Não véi. Olha o meu olho...

Guilherme sorriu.

- Está bem. – ele consentiu.

Esticou novamente a câmera, colou seu rostinho com o meu e bateu mais uma foto.

- Hunnn... Eu fiquei esquisito nessa também...

Eu nunca fora muito fotogênico... Já Guilherme, era o oposto, era impressionante como ele saia bem em qualquer foto. E não é exagero eu dizer que era por causa daquela pintinha que ele tinha perto da boca, aquilo lá era de um charme capaz de derreter até as calotas polares.

Guilherme esticou o braço pela terceira vez.

- Preparado? – ele perguntou sorrindo.
- Sim, agora sim. – falei.
- Um, dois, três e... Já. – e tirou a foto.

Olhamos a foto no monitor da câmera.

- Ah, agora sim. – eu disse.

A foto tinha ficado linda, transmitia felicidade e paixão. Acho que qualquer pessoa ficaria com inveja da gente se visse aquela foto. Parecíamos dois namoradinhos, com o mundo inteiro ainda pela frente, como se não conhecêssemos limites... Tudo parecia possível para aqueles dois garotos apaixonados da foto...

- Eu quero essa foto pra mim também. – eu falei.
- A gente pode passar pro seu computador. – sugeriu Guilherme.

Liguei o pc enquanto Gui pegava o cd de instalação e o cabo
USB no bolsão dele.

Neste momento, tocou o telefone lá de casa. Estranhei, já eram onze horas da noite. Tá certo que era sábado, mas meus colegas normalmente ligavam para o meu celular.

- Vai passando a foto pro meu computador, que eu vou atender o telefone. – falei para Guilherme.

Sai do quarto e fui até o telefone.

- Alô?
- Oi, lindo. - era Monise.

Coloquei a mão na testa, tinha me esquecido de Monise. Até onde ela saiba, eu ainda era o namorado dela.

- Tudo bom, amor?

Eu ia precisar fazer um teatrinho, eu já tinha decidido que só terminaria com ela depois do vestibular, por mais que parecesse babaquice, eu tinha consideração por ela e achava que dessa forma eu iria prejudicá-la menos.

Usei o máximo da minha hipocrisia e fiquei conversando com Monise ao telefone.

- Eu estava morrendo de saudades, meu amor. – ela disse.
- Eu também estava morrendo de saudades, linda. – respondi de volta, não com muito entusiasmo.

Achou que ela notou algo estranho.

- Aconteceu algo? – ela perguntou. – Você tá diferente...

Recompus a minha voz.

- Não amor, tá tudo normal aqui. Só um pouco cansado de estudar para o vestibular. – falei.
- Ah sim, claro. – acho que ela acreditou.

Ficamos uns 15 minutos conversando e eu completamente impaciente com ela.

Quando voltei para o quarto, Guilherme já havia passado nossa foto para o meu computador, peguei meu pen drive que eu deixava em cima da minha estante.

- Vou passar a foto para o pen drive. – eu falei. – Acho que é mais seguro pra ninguém ver...
- Sim, tem razão. – concordou Guilherme.

Depois de transferir a foto para o meu pen drive, desliguei o computador. Fomos para a sala assistir um pouco de televisão e depois fomos dormir.

Dia seguinte, domingo. Quando acordei, Gui ainda estava dormindo, resolvi deixá-lo descansando e não o acordei. Fui para o banheiro lavar o meu rosto, acabei resolvendo bater uma punheta.

Assentei no vaso sanitário, tirei meu pau pra fora e comecei a imaginar o cuzinho de Guilherme. Ele estava em pé, com a bundinha empinada e as pernas abertas, eu estava comendo ele por trás, penetrando meu cacete bem gostoso dentro dele, ele gemia de prazer e pedia para eu meter mais.

Após uns cinco minutos, eu gozei aliviado, me limpei e fui tomar meu café-da-manhã.

Meu irmão estava servindo-se de leite quando eu entrei na cozinha, nem nos demos o trabalho de nos cumprimentar. Assentei num banco e comecei a ajeitar as coisas do meu café-da-manhã.

Eu estava passando a manteiga na minha torrada, quando Guilherme chegou na cozinha, com aquela carinha de anjo.

- Faz uma torrada pra mim também
Do... PRIMO. – ele corrigiu rapidamente.

Meu irmão olhou estranhado pra Guilherme. Depois olhou mais estranhado ainda pra mim, quando eu aceitei fazer uma torrada com manteiga pra Gui. Normalmente eu não fazia nada pra ninguém, meu irmão vivia me pedindo esses tipos de favores e eu sempre dizia para ele se virar sozinho, que eu não era empregada dele.

Joguei meu Pokémon Gui na minha cama e caí por cima dele.

Lentamente fui despindo meu primo, até deixá-lo só de cueca. Tirei minha roupa até ficar só de cueca também.

- Onde que você guarda aquelas
"coisas"? – perguntei.
- É na parte de trás da mochila, no fundo. – respondeu Gui.

Guilherme parecia apreensivo.

Fui até a mochila e voltei com um pacote de camisinha numa mão e o tubo de lubrificante na outra.

- A gente não vai fazer nada que você não queira fazer. - eu falei olhando para Gui, enquanto tirava a cueca dele.

Nesse momento, Guilherme me deu um abraço forte.

- Eu te amo muito! – ele exclamou e pegou o tubo de lubrificante da minha mão.

Ele abriu o tubo e passou um pouco do k.y. num dos seus dedos. Em seguida, ele deitou de barriga pra cima na cama, abriu e levantou as pernas, ficando na posição de
frango assado.

O meu pau pulsava dentro da minha cueca de tanto tesão.

Guilherme começou a acariciar o próprio ânus com o dedo que estava molhado de lubrificante.

- Você quer meter nesse buraquinho, quer? – provocava Gui, passando o dedo em volta do seu cuzinho.
- Quero! – eu exclamava hipnotizado, quase babando com aquela cena.

Não agüentei e tirei minha cueca. Eu nunca tinha visto meu pau tão duro.

- É assim que você quer meter em mim? – perguntou Gui e começou a socar o próprio dedo dentro da bunda.

Caralho, que tesão ver aquele playboyzinho de pernas abertas pra mim.

- Ahhh. – começava a gemer Gui, enquanto se penetrava com o dedo.

Ele tirou o dedo e passou um pouco de lubrificante no segundo dedo. Em seguida, começou a se penetrar com dois dedos. O rosto de Gui se contorcia em expressão de pequena dor, como se ele estivesse recebendo uma injeção. O rosto dele ficava ainda mais lindo com aquela expressãozinha de dor.

----------------------Continuação---------------------------------


- Dodói, acho hoje talvez seja mais apropriado eu te chamar de Marcão. – falou Gui sorrindo. – Ainda mais com o tamanho desse documento que você tem aí...

Eu apenas dei um sorriso e concordei com a cabeça.

Aquela imagem do meu Pokémon Gui de pernas abertas estava me deixando doido. Não consegui mais resistir a tentação. Vesti o meu pau com o preservativo, passei um pouco de lubrificante nele e avancei ávido sobre o meu namorado, louco para tirar a virgindade dele. Ia ser uma delicia meter naquele cuzinho virgem.

Meu pau foi entrando aos pouquinhos dentro do meu primo.

- Cara, vai com calma, seu pau é muito grande. – pedia Gui.
- Eu vou te arreganhar gostoso. – eu falei tarado. – Depois de hoje, você vai querer dar pra mim sempre.

Eu fui penetrando meu primo com carinho. A bundinha dele era apertadinha e quentinha, melhor do que qualquer xoxota que eu já tinha comido.

Meu cacete foi abrindo o cuzinho de Gui até chegar lá no fundo e os meu pentelhos esbarrarem nos glúteos de Guilherme.

- Pronto. – eu falei. – Agora eu estou todo dentro de você.

Pela expressão no rosto de Guilherme, ele não tinha forças nem para abrir a boca para dizer algo. Ele apenas respirava fundo, tentando se acostumar com aquela vara que estava arregaçando a bundinha dele.

Eu me inclinei próximo do rosto dele e comecei a beijá-lo enquanto começava a bombar o meu pênis dentro dele, bem devagar e bem suave. Hora e outra, Gui soltava um gemidinho de dor.
Peguei nas pernas de Gui e comecei a acelerar o ritmo. Era uma delicia meter naquela posição de frango assado, vendo o rosto do meu Gui se contorcendo num misto de prazer e dor.

Quando eu percebi, Gui já estava com a mão no próprio pau e se masturbando.

O meu pau entrava igual uma rocha dura no cuzinho de Guilherme.

Os gemidos de dor dele começaram a dar lugar aos gemidos de prazer.

- Vai Marcão, me come gostoso vai... – pedia Gui. – Eu sou todo seu... Me come do jeito que você quiser...
- Você tá gostando, é?
- Tô... Não pára... O seu pau é muito gostoso cara...

Era surreal ver Guilherme naquela posição de submissão, mas me dava um tesão da porra ver ele gemendo de prazer com o meu pau dentro da bunda dele.

- Aihh Marcão... – gemia Gui.

Enquanto eu metia no cuzinho virgem do meu primo, minhas mãos ficavam acariciando suas pernas, indo das coxas até os pés. Os pés de Guilherme eram bonitinhos e gostosos de apertarem. Ele estava gostando de receber uma massagem nos pés enquanto meu pau fodia ele todo.

O meu corpo pressionava o corpo de Guilherme contra a cama e nossos suores se misturavam indistintamente.

A respiração de Gui começou a ficar mais ofegante, progressivamente mais ofegante. O ritmo com que ele se punhetava estava cada vez mais acelerado.

De repente senti o cuzinho dele se contrair contra o meu pau e ele gozou.

No momento que o cuzinho dele se contraiu, apertando mais ainda meu pau, eu não agüentei e gozei também.

Enchi meu namorado e beijos e chamegos. Nossos olhos se entreolharam e não foi preciso dizer nenhuma palavra, a expressão de alegria era óbvia no rosto de nós dois.
Segunda-feira acordei às 05h45min com o despertador do meu celular.

- Gui? – falei, balançando o ombro dele para ele acordar.

Guilherme me olhou com aquela cara de anjinho e desceu para a cama dele.

15 minutos depois meu pai entrou no meu quarto recitando “Meu Mundo e Nada Mais”.

“Não estou bem certo
Que ainda vou sorrir
Sem um travo de amargura...”

Fui para a aula sem maiores aventuras, apenas com a preguiça de uma segunda-feira de manhã.

O grande furacão aconteceu de tarde. Eu liguei meu computador para ver umas informações na internet sobre as datas do vestibular e acabei entrando no meu MSN e por conseguinte acabei abrindo meu e-mail.

Havia um e-mail de Guilherme para mim, dizendo que a tarde de domingo tinha sido mágica, que ele tinha ficado com medo de se entregar pra mim, mas que no final das contas ele tinha gostado muito da experiência. Enfim, mais um e-mail fofo do Gui.

Levantei minha mão para pegar o pen drive encima da estante. Meus dedos deslizaram pela fina camada de poeira da estante. Deslizaram mais uma vez. Deslizaram mais outra vez.

Levantei-me de supetão da cadeira. Meus olhos varreram a estante de um canto ao outro.

O pen drive não estava lá...

Comecei a sentir uma aflição dentro do peito.

Fui para o meu guarda-roupa, revirei-o de cabeça para baixo. Abri as gavetas da bancada. Olhei dentro de minha mochila. E nada!

Onde eu poderia ter colocado o pen drive? Eu sempre o deixava em cima da minha estante.

Talvez Guilherme tivesse pegado emprestado. Isso! Guilherme tinha pegado emprestado, só podia ser isso. Acalme-se Marcos, o pen drive deve estar com Guilherme, não há motivo para entrar em pânico, eu dizia para mim mesmo.
Eu coloquei a mão na testa. Todo um sentimento de angustia e medo percorriam as minhas artérias.

Quando Guilherme entrou no quarto, respirei fundo e tentei manter a calma, eu não queria que ele me visse em pânico. Eu não queria admitir nem pra mim mesmo que eu tinha perdido o pen drive.

Virei para Guilherme como se estivesse fazendo a pergunta mais corriqueira do mundo.

- Gui, por um acaso, você não pegou meu pen drive não, né?
- Hunn... Não. Porquê?
- Não, a toa mesmo. Eu achei que tinha deixado aqui em cima da estante, mas não está. Devo ter posto em outro lugar...
- Se quiser, eu te ajudo a procurar. – ofereceu Gui.
- Nah, não precisa não obrigado. – agradeci. – Essas coisas a gente só acha quando já não está mais procurando...
- É verdade. – concordou Gui.

Passei o resto do dia procurando discretamente pelo meu pen drive e nada de eu achar, eu não queria que ninguém lá de casa percebesse a minha aflição, mas por dentro eu estava gritando desesperado.

Todos lá em casa continuavam a agir normais comigo, ninguém parecia ter descoberto o meu segredo.

Chegou de noite e nada de achar a porcaria do pen drive...

Talvez eu tivesse perdido na rua?

Eu me agarrava a qualquer esperança, por mais improvável que fosse eu ter perdido o pen drive na rua.

O sono não veio e eu passei a noite em claro, mal abraçado em Guilherme, me prendendo a pequenas esperanças de o pen drive aparecer magicamente num lugar que eu não tinha olhado direito.
No dia seguinte mal consegui prestar atenção na aula. Era um desespero que me corroia por dentro, por fora eu parecia normal, ninguém percebia a minha angustia.

Quando cheguei em casa, acho que deus me iluminou ou sei lá o quê. Não sei por que cargas d’água resolvi olhar atrás do monitor do meu computador. E não é que o pen drive estava lá!?

Provavelmente Cintia, a empregada, tinha colocado meu pen drive ali. Na hora senti raiva dela, ao mesmo tempo que o alivio encharcava a minha alma. Pelo menos ficava a lição para eu ser mais cuidadoso.

- Achei meu pen drive. – falei para Gui.
- Que bom... É nesse que você guarda ”aquelas” coisas? – ele perguntou
- Anrã.
- Ufa, ainda bem que você achou.

Depois do incidente, passei a guardar o pen drive dentro de uma gaveta do meu guarda-roupa, um lugar mais escondido e seguro.

A quarta-feira passou tranqüila, a quinta também.

Na sexta-feira, entretanto, tudo estava prestes a mudar.

Jantávamos alegres e faceiros na sala de jantar. Meu pai com sua habitual implicância com Guilherme, minha mãe tentando ser agradável como sempre e meu irmão simplesmente indiferente.

Depois do jantar, meu pai mandou que Marcelo lavasse a louça.

- O Marcos vai lavar pra mim hoje. – disse meu irmão.
- Vou? – exclamei surpreso.
- Vai sim. – disse com tranqüilidade Marcelo.
- Tsss... Vai ver se eu estou na esquina, retardado... – respondi truncado.
- Vem cá um pouquinho, Marcos. – disse meu irmão, fazendo sinal para eu ir com ele no corredor.

Chegando no corredor...

- Eu sei de tudo, “Pokémon Dodói”. – debochou meu irmão.

Naquele momento, uma ansiedade subiu a minha cabeça e eu me senti totalmente vulnerável ali na frente do meu irmão, totalmente exposto.

- O que você está dizendo? – perguntei me fazendo de desentendido, o que mais eu poderia fazer?
- Você sabe muito bem! Eu fui pegar emprestado o seu pen drive para transferir umas músicas do meu computador para o da Bianca e de repente me deparei com aquelas coisas . – disse meu irmão, fazendo cara de nojo.
- Mar/Mar/Marcelo... – minha voz saia gaguejada. – Não é nada do que você está pensando...
- Eu tenho vergonha de você... Aquela foto de vocês dois juntos... Me deu vontade de vomitar...

Eu coloquei minha mão no ombro de Marcelo, tentando ganhar tempo para pensar em algo.

- Não me encosta! – exclamou Marcelo. – Você não é mais meu irmão! Eu tenho repulsa de você.

Eu estava sem rumo, eu não conseguia sequer olhar na cara do meu irmão, meu rosto mirava o chão, eu estava me sentindo sujo. Eu percebia o tom de desprezo e aversão na voz do meu irmão.

- Tadinha da Monise. Eu tenho pena dela... – falou Marcelo.

Fiquei quieto, apenas escutando o sermão do meu irmão. Minhas pernas tremiam...

- Agora vá lá lavar a louça. – ordenou Marcelo. – Não me faça ter que contar para o pai que ele tem um filho baitola, ele não merece esse sofrimento. Nenhum pai merece...

Não me restou alternativa senão ir lavar a louça.

- Ué Marcos, resolveu lavar a louça para o seu irmão? – perguntou minha mãe.
- Sim. É um antigo favor que eu estava devendo a ele. – eu respondi.
Tirei a mesa e fui para cozinha lavar os pratos. Enquanto o detergente era esfregado nos pratos, eu tentava organizar os meus pensamentos, mas era impossível, o temor ofuscava tudo. O medo exalava-se pelos meus olhos. O que seria agora? O que ia acontecer? Eu não conseguiria nunca mais olhar pra o meu irmão, só de saber que ele sabia, eu já me sentia acuado, pior então era imaginar que ele poderia espalhar o meu segredo para as outras pessoas...

Seria simplesmente insuportável saber que meu pai tivesse descoberto sobre mim. Não só porque ele iria ficar possesso... Mas principalmente porque eu sabia que para ele seria uma grande decepção... Meu coração doía e eu sentia vontade de chorar quando eu pensava nisso, eu já conseguia imaginar os olhos de desilusão da minha mãe e os seus soluços de choro que se arrastariam durante semanas. Meu pai e minha mãe iam achar que a culpa tinha sido deles, iam achar que tinham errado na minha educação...

Eu mesmo me sentia errado...

Saí da cozinha, os dois, meu pai e minha mãe estavam na sala vendo televisão, me deram um sorriso quando eu passei indo em direção ao meu quarto... Continuariam sorrindo se Marcelo lhes mostrasse as cartinhas de amor que eu tinha escrito para Guilherme? A simples possibilidade deles verem a minha foto com o rostinho colado ao Gui já me assustava...
Meu irmão me parou no corredor, entes de eu entrar no meu quarto.

- E nem adianta vasculhar o meu computador. – ele alertou. – Eu salvei os arquivos em três e-mails meus e você nem sabe quais são esse e-mails... Quanto mais a senha de cada um deles...

Entrei desolado no quarto, meus olhos lacrimejando.

- Que foi Dodói? – perguntou Gui, vindo na minha direção para me acudir.

Eu não agüentei e cai no choro.

- Marcelo descobriu tudo!!! – eu falei entre soluços, mal conseguindo respirar.
- Tudo o quê? Se acalma, cara.

Expliquei toda a situação para Guilherme...

- Ah sim... – ele disse, depois que terminei de contar.

Depois de alguns minutos respirando fundo e tentando acalmar, eu virei para Gui.

- O plano da fuga ainda tá de pé?

Guilherme me olhou receoso.

- Claro que está... Mas calma, não vamos fazer nada precipitado...
- Por favor Gui, quanto antes melhor. Eu acho que eu não vou conseguir continuar nessa casa... Eu não tenho estrutura emocional pra isso...
- Okay, eu vou mandar um e-mail para o meu contato que mora no interior de São Paulo e enquanto isso, vou ver se descolo algum dinheiro emprestado com os meus pais... Essas coisas não são rápidas... Você vai ter que agüentar por mais alguns dias as chantagens do seu irmão até tudo ficar acertado... Você tem algum dinheiro guardado?

Eu fiz sinal negativo com a cabeça.

- Mas Gui, eu aceito até morar num quartinho de fundo. Eu tô aceitando qualquer coisa... Eu não sou exigente... Eu aceito qualquer trabalho também...
- Está bem. – respondeu Gui. – Relaxa e tenta não pensar nisso. Deixa por minha conta que eu vou organizar isso.
Passei a ter que preparar o café-da-manhã do meu irmão todos os dias. Além disso, todos os deveres que meu pai ou minha mãe davam para ele, Marcelo os transferia para mim. Eu tinha me tornado um verdadeiro capacho do meu irmão... Guilherme tentava me ajudar no que era possível.

O cúmulo aconteceu no sábado de noite.

Marcelo trouxe sua namoradinha Bianca lá para casa para assistirem um filme. Eu fiquei encarregado de fazer pipoca e pão de queijo para eles e servi-los.

- Traz mais coca-cola pra mim. – mandou Marcelo, esticando seu copo vazio.

Eu estava sendo totalmente humilhado na frente de Bianca, mas que outra opção eu tinha?

- Prestativo seu irmão. – comentou Bianca, quando eu voltava com o copo cheio de coca-cola.
- É... Ele é meu “Pokémon” agora. – zombou meu irmão.

Entreguei-lhe o copo, controlando a raiva dentro de mim.

- Tá faltando gelo. – reclamou Marcelo, me entregando o copo de volta.

Voltei para a cozinha para poder por gelo no copo do meu irmão. O meu corpo se sacudia de raiva. Abri a porta do congelador e tirei a travessa de gelo. Arranquei três cubos de gelo da travessa e coloquei no copo. A raiva estava me engasgando a garganta.

Olhei para o copo e o copo olhou para mim...

Sem que eu pudesse pensar, dei um cuspe dentro do copo de coca-cola do meu irmão.

De repente escutei uma voz me pegando em flagrante.

- O que você está fazendo?
O nervosismo foi tão grande que eu deixei o copo cair no chão, espatifando-o em cacos de vidro por toda a cozinha e lambuzando o chão de coca-cola.

- Pode deixar que eu limpo. – eu falei.

Minha mãe me olhava transtornada.

Agachei-me e comecei a catar os cacos de vidro que estavam espalhados.

Subitamente senti a mão de minha mãe agarrar o meu braço esquerdo.

- Pára Marcos! – ela exclamou.

Fiquei inerte, olhando para o chão.

- Olha pra mim, meu filho. – ela pediu.

Levantei meu rosto, mirando meus olhos na expressão de perplexidade da minha mãe.

- O que está acontecendo? – ela perguntou. – Nos últimos tempos, você tem feito tudo que o seu irmão te pede...
- Eu gosto de ajudar. É só isso mãe. – eu expliquei.
- Eu conheço vocês dois... – falou minha mãe. – O que está acontecendo? Conte para mim.

O meu corpo tremia de tensão.

- Mãe... – minha voz saia tremida. – Não está acontecendo nada, por favor, pare de se preocupar.
- Eu vou descobrir agora o que está acontecendo, vou falar com o seu irmão.
- Não! – exclamei. – Por favor, mãe! Eu gosto de ajudar, só isso.

Eu não conseguia mais controlar os meus sentimentos. O meu corpo tremia tenso e lágrimas começavam a despencar dos meus olhos.

- Mãe... Por favor... Não é nada demais. Ele só me pediu para ajudá-lo, porque ele está com algumas dificuldades... Não se intrometa, eu imploro, por favor.

Minha mãe me olhou com cara amargurada, ameaçou abrir a boca para falar algo, mas depois mudou de idéia, ficou em silêncio e começou a me ajudar a limpar a sujeira que eu tinha feito na cozinha.

Ela por enquanto não iria fazer nada. Mas agora eu já sabia que era só uma questão de tempo até que ela perdesse a paciência e colocasse meu irmão contra a parede... E aí... Eu estaria entregue a sorte...
Depois de limpar a merda que eu tinha feito na cozinha, fui à sala entregar o copo de coca-cola com gelo para meu irmão Marcelo.

Depois que o filme terminou, eu tive que lavá-los até a casa de Bianca. Eu ainda não tinha carteira de motorista, mas eu já sabia dirigir. Peguei o carro escondido, porque meu pai não deixava que eu dirigisse sozinho.

Marcelo e Bianca foram no banco de trás do Sportage como se eu fosse o motorista deles...

Chegando na casa dela, Marcelo mandou que eu ficasse esperando do lado de fora, os dois entraram na casa dela e eu fiquei no carro. Só depois de 40 minutos que meu irmão voltou.

- Pronto, pode me levar de volta pra casa. – ele falou.

Foi por pouco que meu pai não me pegou usando o carro dele escondido.

Fui para o meu quarto, Guilherme estava usando o meu computador.

- Alguma novidade? – perguntei ansioso. – Eu não sei quanto tempo mais vou agüentar ficar aqui Gui... Minha mãe já está percebendo que tem algo errado...
- Calma Dodói. – falou Guilherme.
- Como que eu posso ter calma?
- Tenha um pouco de esperança... Vai dar tudo certo.

Peguei o Game Boy e fui jogar um pouco de Pokémon Red, a única coisa que era capaz de me distrair um pouco, eu já estava quase fechando aquele jogo...

- Espera! – exclamou Guilherme. – A gente não está proibido de namorar? Está?
- Não. – eu disse com sorriso.
Guilherme veio na minha direção e eu senti suas mãos me segurarem pela cintura, como se me protegessem. O rosto dele se aproximou do meu e eu senti sua boca de morango encostar-se na minha.

Sua língua começou a explorar a minha boca. De repente era como se todos os meus problemas tivessem desaparecidos. A única coisa que eu conseguia sentir era o prazer que aquele beijo me proporcionava.

Caímos na cama. Quando eu percebi, estávamos na posição de “69”, um pagando boquete para o outro e nem tínhamos trancado a porta do quarto.

Era uma sensação maravilhosa chupar o pau de Guilherme enquanto ele chupava o meu.

A boca de Gui era tão delicada, tão perfeita, fazia o meu pênis ficar louco de duro.

Não demorou muito e eu senti o elixir do meu amor invadir a minha boca, Gui gozou igual um cavalo na minha língua. Aquele liquido dentro da minha boca me excitou tanto, que eu não agüentei o tesão e gozei logo em seguida, inundando a boca de Guilherme com a minha porra.

Eu olhei para a porta destrancada e subitamente senti um desespero. Corri até a porta e a tranquei.

- Podia ter entrado alguém aqui... – eu falei.

Da mesma forma repentina que a preocupação tinha ido embora, ela tinha voltado agora. Distrair-se não resolvia os problemas...

- Mas não entrou ninguém.- disse Gui. – Então pronto, passou.

Ficamos de chamego um no outro. Minhas mãos deslizavam pelo corpo másculo e perfeito de Guilherme.

- Faz uma massagem nos meus pés? – ele pediu.
- Faço.

Fui descendo minhas mãos que estavam em seus braços musculosos até seus pés, passando pelo seu peitoral e suas pernas.
Passaram-se mais 4 dias. Eu continuava tendo que fazer as vontades do meu irmão caçula em troca dele manter segredo sobre meu romance com Guilherme. Todavia, cada vez ficava mais claro que a situação era insustentável, que uma hora ou outra, aquela farsa iria desmoronar.

Meu irmão parecia não se importar, suas exigências eram cada vez mais abusivas e mais humilhantes. A própria empregada lá de casa estava começando a estranhar aqueles “favores” todos que eu fazia para o meu irmão.

A minha esperança - talvez a minha única esperança - era fugir daquela casa com o meu amor, para vivermos felizes e em paz, quiçá no interior de São Paulo.

No entanto, o processo todo estava deverás lento. A fuga, que na minha opinião já deveria ter ocorrido há muito tempo, era sucessivamente procrastinada por Guilherme, no argumento de que precisávamos ter um mínimo de segurança para empreender o plano, porque uma vez colocado em prática, não haveria volta.

Enquanto isso, eu era obrigado a tolerar as intransigências do meu irmão Marcelo.

Guilherme estava encontrando dificuldades em todas as frentes. O contato dele em Vinhedo tinha desistido de levar adiante a idéia de abrir uma produtora de eventos e os pais de Gui estavam ultra resistentes em emprestar qualquer dinheiro.
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De noite o telefone tocou. Levantei-me da cama e fui atendê-lo, era capaz de ser Monise...

- Alô? – falei ao pegar o telefone.
- Oi... É o Marcos que está falando? – perguntou a voz do outro lado da linha.
- Sim... Quem é?
- É seu tio Pedro. – anunciou a voz. – Tudo bom?
- Tudo bom tio.
- Seu primo Guilherme está por aí?
- Está sim, só um pouquinho que vou chamá-lo pro senhor.

Deixei o telefone em cima da mesinha e fui chamar Guilherme.

Gui estava assistindo televisão.

- Guilherme, seu pai no telefone... – eu falei.

Guilherme pareceu surpreso. E também não era para menos, Guilherme já estava há três semanas lá em casa e, até então, nem o pai, nem a mãe, tinham ligado para ele para saber como ele estava e tal. Tinham se comunidade apenas por e-mail.

Gui se levantou do sofá e foi para o corredor atender ao telefone.

Assentei-me no sofá, no lugar onde antes estava Gui. Não tinha me ocorrido, mas talvez meu tio estivesse ligando para dizer que ia emprestar o dinheiro que Gui queria...

De uma hora para outra, a ansiedade cresceu dentro de mim e eu estava borbulhando expectativas. Mal podia esperar para que Guilherme terminasse o telefonema e viesse me contar as boas novas.

Guilherme, contudo, custava a voltar para a sala. O que os dois tanto conversavam? Eu estava louco para saber.
Quando Guilherme retornou para a sala, a expressão no seu rosto era de simples indiferença. Onde estava a empolgação? Ele tinha que estar empolgado, oras! Eu pensei.

- E aí? – eu perguntei.
- O quê? – indagou Gui.
- O que seu pai queria? – eu perguntei.
- Ah cara... Meu pai é um babaca... Deixa pra lá...
- Não deixo pra lá não ué. O que o seu pai queria? – insisti na pergunta.

Guilherme me olhou com cara azeda e em seguida respondeu.

- Queria saber se eu estava estudando para o vestibular... – ele falou com uma carinha meio triste.
- Só isso? – e meu tom de voz saiu levemente decepcionado.
- Pois é, cara... Só isso... – respondeu Gui. – Típico do meu pai...

Resolvi não prolongar o assunto. Assistimos um pouco mais de televisão e depois fomos dormir.

A sexta-feira transcorreu tranquilamente, eu tinha até combinado com os meus colegas de irmos ao clube sábado de manhã. Quem não animou muito foi Guilherme, que me falou que não talvez não fosse... Achei uma pena, porque eu estava realmente com muita vontade de repetir aquela seção com ele dentro do vestiário, sem contar que eu adorava ver Gui de calção e molhado de piscina...

Entrementes, uma pequena preocupação me assolava. Neste domingo estaria chegando Monise e eu ainda não tinha arquitetado a melhor forma como eu iria terminar com ela. Eu tinha que pensar em que lugar que eu ia levá-la, o que eu ia dizer, enfim, eram muitos detalhes que eu tinha que pensar...
Sábado de manhã o despertador tocou às 8h30min. Eu e Gui nos levantamos e fomos tomar café-da-manhã.

- Tem certeza que você não quer ia ao clube? – eu perguntei.
- Tenho. – respondeu Gui, enquanto dava uma mordida em sua torrada com manteiga feita por mim. – Estou meio desanimado...
- Poxa... Então acho que também não vou.
- Por quê?
- Ah, não tem graça ir sem você. – eu falei.
- Ah não! – exclamou Guilherme em tom sério. – Eu vou ficar muito chateado se você não for...

Parei por alguns segundos, fitando os olhos do meu namorado.

- Está bem. Mas tem certeza que não quer ir?

Guilherme balançou afirmativamente a cabeça.

Enquanto Guilherme terminava o café-da-manhã, eu fui para o meu quarto, me arrumar para o clube.

Quando eu estava saindo do quarto, Gui estava chegando...

- O que você vai ficar fazendo agora de manhã? – eu perguntei.
- Ver televisão, estudar um pouco, não sei...

Eu dei de ombros...

- Está bem... – falei. – Estou indo então.
- Aproveita lá. – disse Gui.

Fui caminhando a pé para o clube, não era longe. Eu tinha combinado de encontrar com os meus colegas lá mesmo.

Quando cheguei ao clube, Flávio e Otávio já estavam lá. Ficamos conversando durante um tempinho.
Nos minutos subseqüentes, foram chegando o restante dos meus colegas. Flávio resolveu tirar a camisa e o resto do pessoal resolveu acompanhá-lo.

Eis que eu percebi que o protetor solar não estava na minha mochila.

- Droga! – exclamei.
- Que foi 'Zé'? – perguntou Flávio.
- Esqueci o protetor solar no meu quarto.
- Aff véi! Você é muito paranóico com esse negócio de protetor solar...

Pior que eu era muito paranóico mesmo. Resolvi voltar em casa para buscar o protetor solar.

O ar da manhã enchia os meus pulmões de leveza.

Entrei em casa e ao adentrar no meu quarto, me deparei com Guilherme em pé.

Ele me olhou surpreso. Obviamente ele não estava esperando que eu voltasse tão cedo assim do clube.

- Esqueci o protetor... – mas as minhas palavras se perderam no ar quando eu percebi que ele estava com a mochila nas costas e segurando seu bolsão na mão esquerda.

Uma nuvem de incógnitas encobriu a minha cabeça.

- O que está acontecendo? – eu exclamei.

Guilherme franziu a testa.

- Bom. Já que você está aqui... Acho que não precisa mais disto. – ele falou e caminhou até a minha cama, levantou meu travesseiro, pegou a carta que estava ali embaixo e guardou no bolso.
- Gui, o que está acontecendo? – eu repeti, com a voz tremelicando.
- Marcos...
- Não me chama de Marcos... – o interrompi. - É Dodói, é Pokémon Dodói.
- Marcos, por favor, cara... Não complique as coisas.
- Gui, eu não estou entendendo nada...
- Não é óbvio, Marcos?
- Pra mim não tem nada óbvio.
- Eu estou indo embora. – falou Guilherme com simplicidade.
- Como assim indo embora?

Eu não estava entendo nada. Eu simplesmente não conseguia acreditar que Guilherme estava indo embora, assim, sem mais nem menos.

- Meu pai conseguiu uma vaga de última hora para eu ir estudar inglês na Irlanda durante um ano. – ele falou. – Apesar de ser um curso caro. Meu pai tem dinheiro e está disposto a pagar. Ele acha que vai ser melhor eu ficar afastado um pouco do Brasil, colocar os meus pensamentos em ordem, pensar no meu futuro, pensar o que eu quero para a vida... Eu também acho que vai ser bom pra mim.
- Mas e a gente? - minha voz saiu esganiçada, a expressão no meu rosto era de total desolamento.
- Fala sério Marcos... Você realmente achou que nós iríamos pra frente? Que daria certo? Desculpa, mas foi ingenuidade sua...

Eu comecei a sentir uma dor forte dento do peito, um vazio profundo. Parecia que o chão tinha desaparecido dos meus pés. Lágrimas começaram a escorrer dos meus olhos, avabcei sobre Guilherme, tentado abraçá-lo.

- Não piore as coisas Marcos. – disse meu primo, se esquivando do meu abraço.

Eu soluçava sem ar. Aquilo parecia simplesmente um péssimo pesadelo de mal gosto. Eu não conseguia aceitar que aquilo fosse real, que estivesse acontecendo de verdade.
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- Pokémon Gui, por favor, não faça isso. – eu supliquei, as palavras mal conseguiam sair da minha boca. – Eu te amo. Eu te amo! Vamos fugir juntos!
- Não, Marcos. Eu estou embarcando para Irlanda daqui a duas semanas e vou ficar lá durante um ano. É isso que eu vou fazer.
- Por favor, não! – eu chorava desesperadamente.
- É melhor eu ir embora. Não quero te causar mais sofrimento.

Eu estava imóvel, encarando Guilherme, a minha ficha não conseguia cair.

- E o que eu vou fazer agora? – eu perguntei desesperado.
- Você toca pra frente a sua vida. – respondeu Guilherme de forma simples.
- Mas e as chantagens do meu irmão? O que eu vou fazer?

Neste momento, Guilherme se aproximou de mim e colocou sua mão no meu ombro.

- Você vai ter que se virar... – ele falou.

Em seguida, ele pegou novamente seu bolsão que estava no chão e caminhou em direção a porta do quarto.

- Onde você vai? – eu perguntei em transe.
- O taxi já deve estar esperando lá fora para me levar para a rodoviária...

Eu continuava imóvel, em completo estado de choque.

Antes de passar pela porta do quarto, Guilherme voltou um pé novamente para dentro do quarto.

- Já ia me esquecendo. – ele falou. – Isso é muito importante. Leia “O Príncipe” de Maquiavel. Você disse que iria lê-lo depois do vestibular. Leia sim, tenho certeza que ele irá te ajudar com o seu irmão... Agora eu preciso ir... Sucesso pra você.

Guilherme apontou para o livro que ele tinha me dado e que estava na estante, entre "Harry Potter e a Pedra Filosofal" e "O Conto da Ilha Desconhecida".

Disto isto, Guilherme saiu pela porta, rude e seco. Perdi-o de vista, como se ele tivesse evaporado de uma hora para a outra.
Assentei-me lentamente na cama. Eu simplesmente não conseguia ter qualquer reação. Era como se eu tivesse levado um tapa na cara. Eu estava obstupefato com toda a situação.

É difícil explicar, mas aos poucos um turbilhão de sentimentos começou a explodir dentro da minha cabeça.

O sentimento de abandono se misturava com o de raiva. O sentimento de culpa se misturava com o de ódio mortal.

Abracei-me ao meu travesseiro e comecei a chorar com toda a minha força...

Uma vontade de sair destruindo tudo.

Obviamente que eu não tive nem ânimo para voltar ao clube.

Eu me sentia um completo idiota por ter me deixado apaixonar por Guilherme. O ódio que eu sentia era de mim mesmo. Mas ao mesmo tempo eu me perguntava se teria tido algo que eu pudesse ter feito para evitar que Guilherme fosse embora...

Por que ele tinha que ser tão perfeito?

Acho que no fundo meu avô era que tinha razão... Guilherme um ‘quase-tudo’. Um quase-perfeito. O problema que existe um abismo enorme entre a perfeição e a quase-perfeição, e agora eu estava justamente experimentando esse abismo.

Eu me debulhava no travesseiro. Era uma dor que eu não conseguia explicar. Era algo que eu queria arrancar de mim. Eu amava tanto aquele menino... Eu teria feito tudo por ele, até enfrentado meus pais... Ele tinha simplesmente desperdiçado isso tudo, como se um amor desses fosse algo que se achasse na esquina... Aí, era muito ódio que eu sentia!!!

Será que eu não tinha expressado direito o meu amor por ele? Será que a culpa era minha? Eu passava minhas mãos pelos meus cabelos, uma vontade de arrancá-los fora, de dar uma facada na minha barriga, de ir atrás de Guilherme só para desejar na cara dele que ele ardesse no inferno.
Passei a manhã inteira trancado no meu quarto, sofrendo...

Nesses momentos, quando não há ninguém, ninguém para te consolar, ninguém para desabafar, só resta uma saída... Recorrer à diva.

Peguei meu MP3 e coloquei os fones nos ouvidos.

Por mais que ela fosse esquisita e controversa, por mais que ela parecesse um andróide de outro mundo e se vestisse igual uma doente mental, ela era uma diva e ponto final. A voz dela existia era justamente para nos consolar...

Por mais que fosse muito gay escutar “Cher”, dada as circunstâncias, não havia outra pessoa que pudesse me socorrer naquele momento além dela.

Selecionei a música “If I Could Turn Back Time” e coloquei o volume no máximo.

Fiquei em pé no meu quarto, dançando loucamente e catando aos gritos a música enquanto as lágrimas desciam dos meus olhos, foda-se se alguém estivesse me escutando. A única coisa que eu conseguia fazer naquele instante era gritar para fora o meu sofrimento.

“If I could reach the stars
I'd give them all to you
And you'd love me, love me, like you used to do”

A minha voz saia com intensidade da minha garganta, como se toda a minha emoção estivesse concentrada naquela música.

Cantar aquela música com toda a força do meu gogó e dançar com todas as minhas energias eram tudo o que eu tinha naquele momento para me exorcizar, mas eu não conseguia evitar que as lágrimas parassem de cair dos meus olhos...
Depois desse meu primeiro momento de ”piti-frenesi', tirei o fone do ouvido e fiquei assentado melancólico na cama. Pensei em jogar Pokémon Red para me distrair, mas aí me lembrei que o jogo era do Guilherme e que ele tinha levado o Game Boy embora junto com ele. Senti um aperto ainda maior no peito, faltava tão pouco para eu fechar aquele jogo...

Fui para a janela do meu quarto e fiquei vendo o tempo e o vento passarem. Eu estava sereno, mas um sentimento de tristeza poluía o meu interior de forma intensa.

De repente já era hora do almoço e eu escutei minha mãe batendo na porta, avisando que já ia colocar a comida na mesa.

Fui para o espelho do meu guarda-roupa ver se meus olhos estavam muito inchados. Estavam levemente dilatados. Sequei-os na manga da camisa e fui ao banheiro lavar meu rosto, tentar melhorar a aparência da minha cara. Uma água fria nessas horas quebra muito o galho...

Em seguida, fui para sala de jantar.

O assunto em pauta era a repentina decisão do meu tio Pedro de mandar Guilherme para a Europa.

- Pedro ligou hoje cedo aqui para a casa. – disse minha mãe. – Marcos estava no quarto e acho que Guilherme já tinha ido embora... Foi tão assim... ”Do nada”, igual vocês jovens dizem...
- Meu irmão é maluco mesmo... E o filho dele... Mais maluco ainda! – exclamou meu pai. – Ainda bem que Marcos já é grande o suficiente para não se deixar influenciar por ele... Espero que ele não tenha feito a cabeça de Marcelo...
- Deus me livre dele ter feito a minha cabeça! – exclamou Marcelo e em seguida me lançou um olhar cortante.
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O almoço inteiro foi esse assunto infernal, eu não agüentava ficar ouvindo o nome de Guilherme. Marcelo não parava de me olhar, como se me analisasse.

Quando o almoço terminou, minha mãe me mandou tirar a mesa e lavar a louça suja.

- Pode deixar que eu tiro pra ele. – falou meu irmão.

Meu queixo caiu na hora.

- É? – indagou minha mãe.
- É... Marcos tá com uma cara de cansado. Acho que não tem problema eu quebrar esse galho pra ele hoje... – falou meu irmão.

Eu fiquei tão sensibilizado com aquela atitude dele, que no estado de emoção a flor-da-pele que eu estava, foi por um triz que não desabei em choro de tão tocado que fiquei.

- Eu te ajudo a lavar a louça. – eu falei.

Meus pais se entreolharam admirados e em seguida saíram da sala de jantar e foram assistir televisão.

Eu e meu irmão entramos na cozinha e começamos a lavar os pratos. O silêncio era rompido apenas pelo barulho da água batendo contra os pratos.

Eu não sabia o que dizer para o meu irmão, mas a simples presença dele ali já me deixava feliz...

Quando terminamos de secar o último prato, Marcelo se virou para mim.

- Rolava um sentimento forte, né? – ele perguntou.

Eu balancei afirmativamente a cabeça.

- Pior que sim...

Ele então veio na minha direção e me abraçou.

- Eu sinto muito ow. – ele disse.
- Obrigado. – eu respondi.

Aquele abraço não diminuiu a dor que eu estava sentindo, mas me trousse um conforto tão grande, que eu não consigo nem explicar, mas foi simplesmente essencial ter recebido aquele abraço do meu irmão...
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Fui para a pracinha que tinha perto da minha casa, para tentar me distrair...

Assentado no banco, eu observava as pessoas caminharem, apressadas.

Eu pensava em Monise. Era um grande alivio eu não ter terminado o meu namoro com ela. Eu me sentia estúpido por ter quase posto a perder aquela princesa em troca daquele charlatão...

Monise me amava e eu quase tinha desperdiçado isso em troca de uma ilusão mongólica. Mas era bom que me servia de lição, para eu dar mais valor à Monise. Para eu gostar de quem realmente gostava de mim.

De noite foi estranho, me senti profundamente sozinho dentro do meu quarto. A presença de Guilherme enchia o quarto de calor e ternura. Meu quarto sem ele parecia mais frio e sombrio. Era esquisito olhar para baixo e ver a bicama fechada.

O sono se atrasava em chegar, meus olhos percorriam as paredes brancas em busca de algum sossego, de algo que preenchesse o buraco que eu estava sentindo dentro de mim.

Domingo chegou moroso como todo domingo. Eu estava ansioso para reencontrar a minha namorada, ela chegaria somente no meio da tarde. Sim, eu tinha certeza que ela iria preencher o vazio que eu estava sentindo...

Enquanto isso, Marcelo parecia ter me dado uma trégua ou sei lá o quê. Nós dois estávamos de bem um com o outro, coisa de irmãos mesmo.

Em domingo, eram às 15h37min, quando o telefone tocou, arrastando seu barulho pelos aposentos da casa. Eu estava na minha cama, ouvindo ’Train In Vain‘ do ‘The Clash’ , uma coisa bem menos gay que “Cher”. Tirei com agilidade o fone do meu ouvido e fui correr para atender ao telefone.

Talvez pudesse ser Guilherme que estivesse me telefonando... Implorando por desculpas...

Eu ia ter prazer em humilhá-lo!!! Quem ele pensava que era?
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- Alô? – disse a voz feminina do outro lado da linha.

Definitivamente não era Guilherme.

- Oi linda. Já chegou? – perguntei à Monise.
- Acabei de chegar. Estou morrendo de saudades.
- Também estou morrendo de saudades, você não tem noção de quanto. – eu falei.
- Então dá uma passadinha aqui. – ela me convidou.
- Tá, eu preciso só tomar meu banho antes.
- Tá bem, eu vou tomar um banho também. Não demora!
- Pode deixar.
- Então até daqui a pouco. Beijo.
- Beijo.

Peguei minha toalha no varal e fui para o banheiro tomar meu banho.

Pendurei a toalha no ganho da parede do banheiro, em seguida, tirei minha camisa e depois a bermuda.

Fiquei observando meu próprio corpo no espelho, me admirando de forma tola, contemplando as curvas dos meus braços. A minha boca era a parte do meu rosto que as pessoas mais elogiavam, eu tinha os lábios bonitos, nem finos nem grossos, provocativos, com linhas suaves que exalavam desejo. Em que pesasse todos os elogios que as meninas já tinham dado para os meus beijos, eu particularmente gostava mais dos meus olhos. Normalmente eram de um castanho escuro misterioso, mas havia dias que eles ficavam mais claros, com uma tonalidade sonhadora.

Eu tenho que admitir, eu às vezes tinha essas crises de narcisismo. Embora eu não tivesse uma pintinha charmosa no canto da boca, eu me considerava extremamente charmoso, principalmente quando meu rosto assumia expressões de seriedade.

Pisei primeiro com o meu pé direito no azulejo frio do box, depois fechei a porta de Blindex atrás de mim. Liguei o chuveiro e me afastei, esperando a água esquentar.

Passado alguns segundos, estiquei meu braço para ver se água já estava morna. E já estava.

Coloquei meu corpo debaixo da ducha e deixei que a água escorresse por meu corpo, descendo dos meus cabelos até as pontas dos dedos dos meus pés, passando pelos meus ombros, pela minha barriga, pela virilha, descendo as minhas pernas até encontrar meus pés no chão e em seguida partirem rumo ao ralo.
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Passei o sabonete pelo corpo, depois o shampoo.

Meus pensamentos se perdiam em abstrações. Quando eu percebi, eu estava de olhos fechados, beijando o vidro do Blindex, imaginando a boca de morango de Guilherme.

Abri os olhos e me senti um completo imbecil. Comecei a chorar compulsivamente e me ajoelhei no chão do box, deixando a água do chuveiro cair em cima de mim. Eu tentava esconder, mas a dor que eu sentia era muito grande, eu amava o meu primo mais do que tudo, era irrefutável a minha paixão por ele. Eu estava condenado para sempre a sentir aquele imenso vazio dentro de mim...

...

Desliguei o chuveiro e peguei minha toalha para me secar. Enrolei-me nela e fui para o meu quarto, vestir minha roupa.

Coloquei uma camisa branca e uma bermuda preta, fiquei uns cinco minutos arrumando meu cabelo em frente ao espelho do meu guarda-roupa e, então, fui para a casa de Monise.

Monise não morava longe de mim.

Chegando lá, quem abriu a porta foi Taís, irmã um ano mais velha que Monise.

Eu e Taís nos dávamos bem. Ela ficou me fazendo sala enquanto Monise se arrumava no quarto.

Taís era uma pessoa bem mais calma e sensata que Monise, em compensação era bem mais feia... As vezes eu desejava que Monise tivesse o mesmo temperamento que a irmã, mas era um desejo em vão. Monise era explodidinha mesmo, e em parte – de forma BEM relativa - eu até que gostava dessa característica “estouradinha” dela.

Taís ficou me contando sobre a avó que estava em coma e o avô que estava em depressão, me contando como tavam os parentes, especialmente seu próprio pai, que estava muito abalado com todos esses eventos na família e o quão ele se sentia impotente para ajudar.
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Quando Monise apareceu na porta da sala, corri para abraçá-la.

Seu perfume doce, delicado e feminino envolveu meu nariz. Aquele abraço me trazia tranqüilidade e segurança.

Segurei-a pelo rosto e roubei-lhe um romântico beijo francês.

Levei-a para dar uma volta pelas ruas.

De mãos dadas, andávamos sem rumo certo.

O sol estava se pondo no horizonte, quando decidimos ir para a minha casa. Fomos para o meu quarto e eu tranquei a porta.

Nossos beijos começaram a ficar mais lascivos. Os lábios de Monise deslizavam-se nos meus, mas ela não tinha nenhuma pintinha no canto da boca.

Deitamos na cama, minhas mãos apalpavam as coxas e a bunda da minha namorada. Meu pau dava sinal de vida, endurecendo aos poucos com aqueles ardentes beijos da minha princesa.

Fui lentamente despindo o meu amor, Primeiro tirei-lhe a blusa, depois desabotoei sua calça. Enfiei devagar pedaço de minha mão dentro de sua calcinha. Meu dedo do meio escorregava pelos lábios de sua vagina. Ela gemia timidamente, toda recatadinha, enquanto minha língua devorava-lhe em beijos ardentes.

Meu dedo, então, tocou-lhe o clitóris. Escutei-a suspirar alto de prazer. A xoxotinha ia ficando cada vez mais molhadinha, me enchendo de tesão. Meu pau já pulsava duro dentro da minha cueca.

Meu dedo massageava delicadamente o clitóris da minha princesa. O tesão foi aumentando dentro dela e ela avançou sobre mim, arrancando minhas roupas com voracidade.

- Para de me torturar. – ela sussurrou no meu ouvido, enquanto arrancava minha camisa e minha bermuda, me deixando só de cueca.

Tirei a calça dela também e ficamos os dois apenas com nossas roupas intimas.
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Nossos corpos se enroscavam em perfeita harmonia.

Fiquei por cima de Monise. As mãos dela deslizavam pelas minhas costas ao mesmo tempo em que eu lhe tirava o sutiã, revelando seus lindos seios.

Enquanto eu apoiava meu corpo no braço direito, meu braço esquerdo ia escorregando até sua delicada cintura e minha mão ia abaixando sua calcinha.

Tirei minha cueca e comecei a esfregar a cabeça do meu pau na xaninha da minha princesa. Neste momento, a xoxotinha dela já estava totalmente inundada de tanto tesão, implorando para a minha pica entrar nela.

Comecei a penetrá-la bem devagar. Suas mãos me empurravam contra seu corpo para que eu enfiasse mais fundo o meu pau dentro dela, mas eu gostava de provocar...

Comecei a aumentar o ritmo. Bombava minha vara dentro dela enquanto meu dedo massageava seu clitóris.

Entretanto, o sentimento guardado voltou a incomodar.

A imagem de Guilherme começou a rondar a minha cabeça. Quando eu percebi, eu já estava de olhos fechados e imaginando que estava comendo o cuzinho dele.

Aquilo me fez sentir desonesto, errado. Comecei a me sentir alheio e conseqüentemente fui perdendo a ereção do meu pênis até ficar inviável que eu continuasse a penetrá-la.

Quando finalmente parei de bombar, Monise ainda forçou seus braços contra meu corpo para que eu continuasse a comê-la, mas meu pau tinha ficado mole.

Olhei sem graça para ela. Eu nunca tinha broxado antes na minha vida.

- O que ouve? – ela perguntou.
- Eu não sei. – eu respondi, mas eu sabia muito bem o que tinha acontecido...
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Situação indiscutivelmente chata...

Deitei-me ao seu lado e ficamos nos beijando, fiquei fazendo carinho em seu rosto.

- Não tem problema, amor. Essas coisas acontecem... – ela falou.
- A gente pode encerrar esse assunto? – eu perguntei. – Não quero ficar falando sobre isso agora...
- Tá bom. – ela disse com um sorriso meigo e fazendo um carinho no meu cabelo.

Passaram-se 15 minutos

- Vamos levantar? – sugeriu Monise. – Preciso ir embora, estou com fome.
- Tá. – respondi. – Lancha aqui em casa, que tal?

Monise aceitou o convite com um balanço de cabeça.

Ao levantar da cama para pegar sua roupa que estava no chão, Monise soltou uma exclamação.

- Uá!!! – ela falou. – Eu não sabia que você tinha esse livro.

O dedo de Monise apontava para o livro que estava entre ”Harry Potter e Pedra Filosofal” e ”O Conto da Ilha Desconhecida”.

Gelei na hora. Fiquei sem saber o que responder. Quem mandara eu ter uma namorada tão detalhista assim.

- Meu primo não queria mais o livro e acabou me dando. – eu disse por fim.
- Ah sim... – ela respondeu.

Ela, então, perguntou onde que estava o meu primo. Tive que contar para ela a história da repentina saída dele. Foi difícil, quase chorei enquanto dizia pra ela que o pai dele tinha resolvido do nada que Guilherme iria para Irlanda, precisei fazer força para segurar as minhas emoções, mesmo assim acho que transpareci o quanto eu estava abalado com a súbita despedida do meu primo.

- Que pena... – falou Monise. – Vocês estava se dando bem, né?
- Eh... – falei, tentando manter a indiferença e fazendo força para não deixar minhas bochechas corarem. – Ele tinha me ensinado a jogar Pokémon Red, foi embora antes que eu conseguisse fechar o jogo...

Meu olhar se perdia nas frases, fazendo com que as palavras parecessem ter mais de um significado... E talvez tivessem...

Rapidamente tratei de mudar o assunto.

- Vamos lanchar? – perguntei. – Também estou morrendo de fome.
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Segunda-feira chegou. Agora faltavam apenas 5 dias para o famigerado vestibular.

As pessoas estavam frenéticas no cursinho.

Monise estava preocupada se conseguiria passar para o curso de Biologia, afinal ela tinha perdido praticamente três semanas de estudos. Eu também estava incomodado comigo mesmo, pois eu tinha vadiado muito nas três semanas anteriores, especialmente por causa do meu primo, aquele desgraçado.

A semana foi transcorrendo de forma surpreendentemente rápida. Eu mal conseguia prestar atenção nas aulas revisionais do cursinho, eu ficava pensando se Guilherme estaria pensando em mim também, se ele estaria arrependido de ter me abandonado... Essas coisas estúpidas... Ao mesmo tempo me sentia retardado por ficar pensando nessas coisas... Mas eu não conseguia evitar esses pensamentos...

Chegou sábado, dia da primeira fase do vestibular.

Eu e Monise íamos fazer a prova no mesmo lugar (embora em salas diferentes), no Instituto de Ciências Humanas da Universidade.

Havia todo aquele clima de tensão. A Universidade estava lotada de vestibulandos. Eu estava com total desesperança em conseguir passar para o curso de Direito, talvez eu nem conseguisse chegar na segunda fase do vestibular. Eu tinha negligenciado os meus estudos nos últimos tempos e agora me batia um arrependimento mortal de ter me envolvido naquele romance imprudente com Guilherme.

Desejei boa prova para Monise e entrei na minha sala. Os fiscais esperaram dar 14h00min em ponto e então começaram a distribuir as provas.

Meus olhos percorriam os enunciados das questões de forma relapsa e distraída. Era uma prova só de múltipla-escolha, eu marcava os gabaritos sem realmente ter certeza das respostas. Eu estava me sentindo um lixo, olhava para os lados e via os meus concorrentes todos concentrados e eu só conseguia ficar pensando em como Guilherme tinha sacaneado a minha vida e ainda sim eu continuava apaixonado por ele...
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Estava certo isso? Continuar apaixonado por ele...

Ao mesmo tempo, eu me sentia mal por causa de Monise. Era ela que merecia minha total dedicação, era ela que merecia os meus pensamentos...

Terminei a prova, preenchi a folha de gabarito e a entreguei para a fiscal, uma moça gordinha de uns 25 anos.

Fui para o pátio do Instituto de Ciências Humanas e fiquei esperando Monise. Aproximadamente 20 minutos depois ela apareceu.

Liguei para a minha mãe e ela veio nos buscar.

Conferimos as respostas das questões pela internet lá em casa. Não sei se era milagre ou outra coisa, mas eu tinha ido bem e tinha chances reais de ir para a segunda fase. Monise tinha se saído um pouco pior do que eu, mas como o curso de Biologia era bem menos concorrido que o de Direito, era quase certo que ela conseguiria ir para a segunda fase também.

O resultado da primeira fase do vestibular sairia em 10 dias e as datas da segunda fase seriam 5 dias depois do resultado. Portanto, eu teria mais ou menos 15 dias para estudar loucamente, caso eu quisesse ter alguma chance de entrar na universidade.

Os dias foram passando. Eu e Monise combinamos de não nos encontrarmos. Precisávamos nos concentrar nos estudos.

Passamos o Natal daquele ano estudando. Foi estranho. Parecia uma maratona contra o tempo. Havia alguma força dentro de mim me empurrando para frente, não me deixando entregar os pontos, não me deixando desistir.

O resultado da primeira fase do vestibular saiu. Eu e Monise tínhamos passado para a segunda fase. Uma grande alegria.

Veio a segunda fase. Eram dois dias de provas abertas. Tudo ocorreu tranquilamente. Saí-me melhor nas questões de História, Geografia e Biologia, que eram os meus pontos fortes. Fui razoável nas questões de Literatura, Português, Matemática e Física. E afundei nas questões de Química, sempre fui terrível com Química.

O resultado só sairia em fevereiro do ano seguinte. Até lá a única coisa que sobrava era expectativa.
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O finalzinho de Dezembro já se dobrava. Já tinha passado o Natal e o Vestibular. Faltava apenas o Réveillon...

Meus tios (os pais de Guilherme), chamaram meus pais para passarem a virada de ano com eles lá no Rio de Janeiro, uma forma de agradecer meus pais terem cuidado de Guilherme. Meus pais acabaram aceitando o convite.

No dia 30 de dezembro, eu, meu irmão e meus pais saímos de viagem em direção ao Rio de Janeiro, que ficava aproximadamente a quatro horas de distância da nossa cidade. Monise não pôde ir conosco, porque os pais dela queriam que ela passasse a virada do ano com eles.

Fazia mais de seis anos que eu não ia ao Rio, mesmo assim eu tinha um carinho especial por aquela cidade, afinal de contas, era lá que eu tinha nascido.

Meu pai atravessou a cidade em direção ao bairro da Barra da Tijuca, que era onde morava meu tio.

...

A chegada ao condômino em que morava meu tio foi acompanhada de olhos arregalados por nós quatro que estávamos dentro do carro.

Era um condomínio de cinco prédios altamente luxuoso. Eu e Marcelo ficamos boquiabertos. Nós sabíamos que tio Pedro e tia Laura eram bem de vida, mas não fazíamos idéia do quanto...

Havia todo um procedimento de identificação na portaria do condomínio, cheio dos guéri-guéris.

Depois do ritual de entrada, o porteiro falou para meu pai estacionar o carro na vaga 17, que era destinada às visitas. Entre BMWs e Mercedes que enfeitavam a garagem do condomínio, o Sportage do meu pai lembrava mais um fusquinha tirado de um ferro velho.

Logo em seguida apareceu meu tio, trazendo um carrinho para colocarmos as malas. Tio Pedro cumprimentou meu pai, depois minha mãe, depois eu e finalmente cumprimentou meu irmão.

Descarregamos as malas no carrinho e fomos em direção ao bloco três que era o prédio que morava meu tio.
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Enquanto o elevador subia em direção ao oitavo andar, eu observava meu tio. Aparentemente Guilherme tinha herdado muitas características físicas dele, principalmente o porte físico e, sobretudo, o sorriso.

O apartamento era um duplex de cinco quartos, muito bem decorado por minha tia Laura.

Ao entrarmos no apartamento, ela veio nos cumprimentar com beijinhos.

- Quem bom que vocês resolveram vir! – ela exclamou. – Fizeram boa viagem?

Tia Laura tinha muito de perua. Embora ela fosse bonita, eu particularmente achava minha mãe muito mais bonita que ela.

- Silvia, querida, espero que o “Leleme” não tenha te dado muito trabalho... – falou tia Laura.

“Leleme?” Minha mãe olhou para meu pai com uma expressão de interrogação no rosto. Mas pelo contexto, parecia que ela estava se referindo ao Guilherme.

Meu pai ameaçou abrir a boca para falar. Porém, dada a sua histórica aversão ao seu sobrinho “Leleme”, minha mãe o cortou, antes que as palavras saíssem de sua boca.

- Guilherme se comportou muito bem, Laura. – elogiou minha mãe. – Não deu trabalho algum.
- Fico mais aliviada. – disse minha tia. – Eu e Pedro estávamos muito preocupados com ele. O Rio de Janeiro não é um bom ambiente para ele. Estávamos preocupados dele se envolver... Bom... Com drogas... Vocês sabem... Os jovens hoje em dia estão muito expostos às essas coisas, principalmente aqui no Rio... Além disso, ele andava meio triste... Não sabíamos o que fazer...
- Entendo. – concordou minha mãe. – Vocês podiam ter deixado ele lá o tempo que fosse... Não precisavam ter se preocupado.
- Obrigado Silvia. – agradeceu tia Laura. – Mas foi por outro motivo que resolvemos mandar ele para a Europa.
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Houve um silêncio constrangedor em que se esperou que tia Laura explicasse o motivo de ter mandado Guilherme à Europa. Mas conforme o silencio se prolongou no tempo, logo ficou explicito que ela não estava confortável em explicar porque tinha mandado o filho estudar na Irlanda.

Meu irmão me lançou um olhar pesado. Eu, por minha vez, fiquei olhando o chão, sem graça.

Será que Guilherme tinha contado para os pais sobre a gente? Será que os pais dele não tinham gostado da noticia e tinham mandado ele para bem longe de mim?

Mesmo assim, a teoria tinha buracos... Era inexplicável o fato de Guilherme ter se recusado a fugir comigo, idéia, inclusive, que tinha sido dele próprio! A atitude dele tinha sido de covardia, não cabia outra interpretação. Ele tinha preferido o conforto da Europa do que a fugir comigo...

A minha preocupação agora se polarizava de outra forma. Se o desgraçado do Guilherme tinha contado para os pais sobre a gente... Isso significava que meus tios sabiam... O que queria dizer que eles poderiam contar para os meus pais... Logo, eu estava potencialmente ferrado novamente.

Antes que eu pudesse começar a tremelicar de desespero, meu tio abriu a boca para esclarecer a situação.

- Laura... Eles são da família... – falou meu tio Pedro. – Não tem problema falar para eles...

Tia Laura lançou um olhar de censura quando tio Pedro começou a explicar o porquê de eles terem mandado Guilherme para estudar na Irlanda.

Depois de tio Pedro explicar toda a personalidade rebelde de Guilherme e seu histórico de fugas e confusões, tio Pedro concluiu:

- Ele havia nos pedido dinheiro... E não foi pouco dinheiro que ele pediu. – falou meu tio. – Além disso, ele se recusou a explicar para quê que ele queria o dinheiro... Eu e Laura achamos que ele estava devendo dinheiro para algum traficante grande... Ou coisa pior...
- Isso é mentira! – eu exclamei.
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Todos me olharam surpresos por causa da súbita intervenção que eu tinha feito.

Apesar de toda a raiva que eu sentia de Guilherme, eu não podia deixar que meus tios falassem aqueles absurdos do meu primo. Guilherme não tinha nada de viciado em drogas, ele era uma pessoa muito conscientizada em relação a isso.

Eu agora entendia a tristeza de Guilherme em relação aos seus pais. Ficava patente que meus tios eram totalmente por fora da vida do próprio filho. Eles eram simplesmente muito ocupados com o trabalho ou sei lá o quê... O fato era que eles tinham uma imagem totalmente errada de Guilherme.

- Você conviveu com Guilherme pouco tempo... – disse meu tio. – Não tem como você ter conhecido ele bem...

Tive vontade de retrucar. Eu talvez tivesse conhecido Guilherme melhor do que qualquer um dentro daquela casa... Se bem que eu não tinha sido capaz de prever a covardia dele de ir para a Europa... Pelo o que eu conhecia dele, eu teria jurado que ele fugiria comigo...

Era doloroso, pra mim, ficar pensando nesse assunto. Então, resolvi ficar quieto. Afinal, não ia ser eu que ia fazer meus tios mudarem de opinião em relação ao próprio filho.

- Aí achamos melhor mandar o “Leleme” para fora do Brasil. – concluiu minha tia. – Pedro conseguiu achar essa vaga numa agência de intercâmbio... A principio, Leleme não gostou da idéia, mas depois ele ficou bem entusiasmado...

Aquela última palavra entrou no meu ouvido como um choque... Entusiasmado?

Então, talvez eu tivesse sido apenas um passatempo mesmo do meu primo. Eu não tinha sido nada além disso para ele, um brinquedinho para passar o tempo. Senti uma dor profunda dentro do meu coração.
.De repente irrompeu uma pequena menininha pela sala.

Era minha priminha Débora, de 5 anos, irmã mais nova de Guilherme, a coisa mais bonitinha que eu já tinha visto.

- Não vai cumprimentar as visitas? – perguntou tia Laura para Débora, que estava escondida atrás do vestido da mãe

Débora, então, deu um abraço gostoso em cada um de nós e depois voltou para trás do vestido da mãe. Ela tinha os mesmos olhos lindos que Guilherme. Eu não sei muito bem porquê, mas eu sempre gostei de crianças (e sempre me dei muito bem com elas também)...

- Vamos mostrar a casa para eles, “Bobora”? – perguntou tia Laura para Débora.

Que mania chata que eles tinham de criar apelidos com as sílabas do meio, eu pensei... “Deb” era tão mais bonito que ”Bobora” e “Gui” era bem menos infantil que “Leleme”.

Débora fez que sim com a cabeça. Fomos andando pelo gigante apartamento, conhecendo os cômodos da casa.

O apartamento era realmente uma grande ostentação, fosse com a aparelhagem eletrônica, fosse com os móveis, fosse as peças de decoração... Tudo dava a impressão de ter custado caro.

- Bom, já que Leleme não está aqui, você e Marcelo poderão ficar no quarto dele. – falou minha tia.

Entramos no quarto de Guilherme. Era um típico quarto de um adolescente burguês riquinho, em pouco lembrava o Guilherme que eu tinha conhecido. Havia um computador, uma televisão e um Playstation 2.

De repente fiquei me perguntando por que diabos Guilherme ainda jogava Game Boy Color, quando, na verdade, ele tinha todas as condições de ter um PSP...

Talvez por excentricidade... Eu pensei... Vai saber...

Encimava sua bancada de estudos um porta retrato com sua foto. Era Guilherme criança, devia ter uns dez anos de idade. Fiquei observando aquela fotografia. Já naquela época, Gui já tinha sua pintinha charmosa no canto da boca e já dava pare perceber que ele se tornaria um homem bonito e gostoso. Ele passava a impressão de ser uma criança bem bagunceira, era interessante ver uma foto dele novo.
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Passei o resto do dia explorando o resto do condomínio com o meu irmão. O lugar era muito grande, cheio de quadras e piscinas, com academia de ginástica, sauna etc.

No dia 31 fomos para o apartamento de um colega do meu tio que ficava na orla de Copacabana, passaríamos a virada de ano lá, assistindo aos fogos pela varanda, com vista privilegiada.

A passagem de 2006 para 2007 foi espetacular. O show pirotécnico na praia de Copacabana foi incrível, desejei que Monise estivesse ali comigo.

Ficamos hospedados mais dois dias na casa de meu tio Pedro. No dia três de janeiro, pela manhã, pegamos a estrada de volta para nossa cidade.

A minha ansiedade pelo resultado do vestibular conseguia fazer com que eu não pensasse muito em Guilherme.

Aos poucos, a rotina ia quebrando o meu sofrimento causado pelo abandono de Guilherme. As coisas pareciam estar se endireitando. Marcelo parecia ter realmente desistido da idéia de me escravizar.

O único problema que realmente persistia de forma extremamente incômoda, era que eu continuava broxando ao tentar fazer sexo com Monise, o que estava gerando um grande desgaste na nossa relação.

...

No começo de fevereiro, primeiro final de semana de fevereiro, Vanessa da Mata iria fazer um show em nossa cidade. Monise era fã dela e insistiu para que fossemos ao show. Eu não conhecia muito bem as músicas da Vanessa da Mata, mas para agradar a minha namorada, decidi ir ao show.

O show ia ser no Violet Boulevard Hall, um centro de eventos que ficava do lado de fora da cidade.
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Quando chegou sábado, dia do show, houve uma série de desencontros. Eu e Monise íamos com Flávio, meu colega que já tinha carteira de motorista. Aconteceu, porém, de Flávio desistir de ir ao show em cima da hora.

Ir de taxi até o Violet Boulevard Hall ia ser muito caro, porque o lugar era uns 5 quilômetros fora da cidade.

No calor do momento e sem conseguir achar outra alternativa rápida, acabei pegando escondido o Sportage do meu pai.

Passei na casa de Monise e fomos para o show.

Monise estava extremamente gata. Eu nunca tinha visto ela tão bonita como naquele dia.

Dirigi o carro até o local, o percurso até lá demorou mais ou menos 20 minutos. Havia uma fila de carros para entrar no estacionamento do centro de eventos. Monise ficou olhando pela janela, admirando os jardins de violeta que haviam em volta do lugar. Era realmente um ambiente muito bonito.

Depois de estacionar o carro, fomos para a fila de entrada do show.

Teve uma bandinha que abriu o show e uma hora depois entrou no palco a deslumbrante Vanessa da Mata.

As músicas eram lindas. Estava indo tudo bem, mas então ela começou a canta a música chamada “Música”.

Até então eu não conhecia aquela canção. Comecei a prestar atenção na letra. Não demorou muito e as lágrimas nos meus olhos foram inevitáveis. A música era linda, mas a letra me fazia lembrar Guilherme de uma forma muito forte.

Comecei a chorar descontroladamente. Monise ficou sem entender nada. Achou apenas que eu estava gostando da música.

Eu estava me sentindo sufocado com a beleza daquela música. Meus olhos pareciam duas torneiras.
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Quando a “Música” acabou, o estrago já estava feito, parecia que havia um rombo dentro de mim, era difícil até me manter em pé. Ao mesmo tempo, Monise estava ali do meu lado, eu tinha que manter uma postura! Mas tudo parecia tão errado, tudo parecia tão do jeito que eu não queria que fosse...

Vanessa da Mata prosseguiu o show, emendando outra música depois daquela. Porém, eu precisava aliviar aquela dor dentro de mim de alguma fora.

- Eu vou pegar uma cerveja pra mim, você quer? – perguntei para Monise.
- Você vai beber? – estranhou Monise.

Realmente. Beber era algo que eu não era muito afeito na época, não gostava do gosto e nem fazia questão de gostar, neste aspecto sempre tive personalidade forte para não ir na onda dos meus amigos.

Mas ali, naquele momento, com a dor pontiaguda que eu estava sentindo, da saudade do beijo de morango do meu Pokémon Gui, daqueles lábios, daquele abraço gostoso que ele me dava, a cerveja parecia uma boa idéia.

E ao longo do resto do show eu fui bebendo uma cerveja aqui, outra ali...

No final, eu já estava meio altinho.

- Marcos! – exclamou Monise. – Como que vamos voltar agora? A gente vai ter que voltar de taxi, você não está em condições de dirigir.
- É claro que estou. – respondi aborrecido. – Eu sei quando eu não estou em condições de dirigir!
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Entramos no carro. Já era um pouco depois de 3h00min da madrugada. A música da Vanessa da Mata ainda ecoava aguda na minha cabeça. Um pequeno chuvisco caia do céu. Era fevereiro, mas ali de madrugada fazia frio.

Girei a chave na ignição, dando partida no motor. Liguei os faróis, passei a marcha ré e tirei o carro da vaga.

Liguei o limpador de pára-brisa e acionei o farol de milha, havia uma pequena névoa no ar.

- Eu adorei o show. Você gostou? – perguntou-me Monise.
- Anrã... – eu respondi com sorriso, tentando disfarçar a minha sensação de vazio.

Não fazia sentindo eu continuar sofrendo por causa de Guilherme. Eu já tinha decidido que eu não ia mais sofrer por causa daquele infeliz.

Liguei o rádio do carro para me distrair, nem me lembro que música estava tocando...

A chuva começou a engrossar.

Já estávamos próximos do trevo de acesso da cidade. Havia uma curva logo à frente.

A última coisa que me lembro desse instante foi o grito de Monise...

- MARCOS!!! TEM UM BURACO ALI!!!

Eu joguei o carro na contramão para evitar o buraco que era fundo, pois o carro estava muito rápido, se eu passasse por cima do buraco, eu corria o risco de estragar o carro do meu pai e causar algum acidente.

O problema era que depois eu percebi que estava vindo um outro automóvel na contramão. Então tive que jogar o carro novamente para a minha pista.

Nesse momento eu já tinha perdido totalmente o controle do carro. Tive alguns breves segundos para pisar fundo no freio, mas pouco adiantou. O carro saiu pela curva, capotando.


Acordei deitado numa cama. A luminosidade que entrava pela persiana do quarto fez meus olhos lacrimejarem. Eu me sentia levemente grogue. Eu parecia distante do meu próprio corpo.

Minha mãe se sobressaltou da poltrona quando viu que eu tinha acordado. Ela veio até a minha direção e segurou minha mão, seus olhos estavam bastante inchados de quem tinha chorado a noite toda.

- O que houve? Onde que eu estou? – perguntei para ela.
- Você sofreu um acidente de carro e está no quarto de um hospital. – ela respondeu.

Cerrei as minhas sobrancelhas, confuso. Mas aos poucos eu ia recuperando a minha memória. Tudo tinha acontecido muito rápido.

- Mas não se preocupe. Você está bem. – ela disse apressadamente.
- Que horas são? – perguntei.
- São 16h25min. – respondeu minha mãe, olhando o relógio na parede.

Poxa, havia passado bastante tempo, mais de 12 horas. Mesmo assim eu ainda me sentia cansado.

- Você precisa descansar, meu filho. – falou minha mãe. – Quer que eu ligue a televisão um pouco?

Eu assenti com a cabeça. Minha mãe caminhou em direção à mesinha para pegar o controle-remoto.

- E Monise? – perguntei abruptamente, por alguns segundos eu quase tinha me esquecido dela. – Como ela está?

Sobressaltei-me preocupado. Minha mãe se apressou a pegar novamente em minha mão.

- Calma, filho. – ela falou. - Você precisa descansar agora...
- COMO ELA ESTÁ? – perguntei com a voz alterada, nervoso.
- Ela está viva... – respondeu minha mãe. – Ela está viva...
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- E Monise? – perguntei abruptamente, por alguns segundos eu quase tinha me esquecido dela. – Como ela está?
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Sobressaltei-me preocupado. Minha mãe se apressou a pegar novamente em minha mão.
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- Calma, filho. – ela falou. - Você precisa descansar agora...
- COMO ELA ESTÁ? – perguntei com a voz alterada, nervoso.
- Ela está viva... – respondeu minha mãe. – Ela está viva...
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5 MESES DEPOIS...

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- Por favor, onde que fica o posto da Anvisa? – eu perguntei.
- É no Terminal 2. – respondeu o segurança do Aeroporto.
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Olhei para meu relógio. Faltava aproximadamente apenas uma hora para o meu vôo. Eu estava com o tempo curto. Aprecei meus passos caminhando com o fôlego apertado em direção ao corredor que conectava os terminais do Aeroporto Internacional do Rio de Janeiro.
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Eu estava no Terminal 1 do Aeroporto Tom Jobim e precisava ir até o Terminal 2.

O problema era que a distância entre eles era enorme. Minhas pernas andaram apressadas e as esteiras rolantes ajudaram a encurtar o tempo de travessia, mas mesmo assim gastei longos 10 minutos para cruzar o gigante corredor que ligava os dois terminais. Grandes painéis de vidro ladeavam o lado direito do corredor e enquanto eu corria para chegar ao Terminal 2, eu pude ver alguns aviões estacionados no imenso pátio.

Pessoas caminhavam para lá e para cá com carrinhos de bagagem. A maioria tranqüila, andava em ritmo calmo. Alguns poucos cidadãos tinham dispensado o uso do carrinho de bagagem e puxavam suas malas de rodinhas pela própria haste da mala. Raras exceções mais atrevidas estavam com malas sem rodinhas e carregavam a mala pela própria alça, um verdadeiro sacrifício para a coluna, que certamente cobrou ou cobrará seu preço na velhice.

No meu caso não havia o que refletir. Eu estava carregando apenas a mochila que eu ia levar junto comigo dentro do avião (a chamada “mochila de ataque”). O meu mochilão de 75 litros (um verdadeiro monstro de mochila) eu já tinha despachando para o avião durante o check-in.

Eu não conseguia acreditar que eu ia realmente fazer aquela viagem... Em certa medida, era muita loucura, mas eu estava precisando dessa aventura. Principalmente depois de tudo que tinha acontecido entre mim e Monise. Ela tinha terminado o nosso namoro... A princípio, eu achei que eu não ia sofrer tanto, especialmente porque eu estava muito confuso a respeito da minha sexualidade e tentava me convencer de que era melhor dar um tempo com Monise, para não enganá-la. Porém, antes que eu pudesse tomar a frente e terminar o nosso relacionamento, Monise havia se adiantado e tinha sido ela própria que tinha rompido com o nosso namoro.
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Cheguei ao escritório da Anvisa com a respiração ofegante. Uma mulher e sua família que estavam indo para Angola estavam sendo atendidos.

Os minutos foram passando e eu comecei a ficar tenso. Olhei no meu relógio. Agora faltavam apenas 35 minutos para o meu vôo. A mulher de Angola era lenta e a moça que a atendia era mais lenta ainda.

Depois de uma espera sofrida, finalmente consegui ser atendido, faltando somente 23 minutos para o vôo.

Entreguei meu Cartão de Vacinação do SUS para a atendente. Ela o pegou em suas mãos e conferiu que no cartão havia o carimbo da vacinação contra a febre amarela. A atendente entrou numa salinha e algum tempo depois voltou trazendo pronto o meu Certificado Internacional de Vacinação e Profilaxia (também conhecido como CIVP), documento necessário para entrar na Bolívia e no Peru.

Peguei o tal certificado, deixei o escritório da Anvisa e saí correndo em direção ao Terminal 1. Faltavam 15 minutos. A possibilidade de eu perder o vôo agora parecia sufocantemente real.

Chegando na área de embarque, me faltavam insólitos 9 minutos. Como era um vôo internacional, eu ainda tive que enfrentar a fila que passava pela Polícia Federal, minha sorte foi que a fila andou rápida.

Quando cheguei no Portão de Embarque, meu vôo estava sendo chamado pelo alto-falante. Respirei aliviado e entrei na fila de passageiros que se fazia para embarcar no avião da Gol.

Eram férias de Julho. Eu estava com 18 anos e tinha decidido fazer um mochilão para Machu Picchu, no Peru.

Não é que a idéia tinha surgido do nada, pois eu sempre tive a vontade de fazer um mochilão em algum lugar, mas a pragmática como eu tinha resolvido fazer essa viagem realmente tinha acontecido de maneira repentina, quase atropelada.
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Para quem não está familiarizado, “mochilão” é uma espécie de viagem que as pessoas fazem carregando apenas um mochilõa nas costas (eis o porquê do nome). Esse tipo de viagem é caracterizado por um custo financeiro menor, já que normalmente os mochileiros ficam hospedados em “hostels” (com o “L” no meio mesmo), que em português seria algo equivalente à albergue.

É claro que quando eu vim com esse plano para os meus pais, eles tomaram um baita susto. Ainda mais porque eu ia fazer a viagem sozinho, então tinha a preocupação de segurança e coisa e tal. Porém, por incrível que pareça, não foi difícil convencê-los, eu mesmo fiquei surpreso de me deparar com uma resistência tão pequena por parte deles em relação ao mochilão que eu queria fazer.

A minha idéia inicial era fazer o percurso inteiro até Machu Picchu de ônibus. Eu pegaria o ônibus na minha cidade, subiria até São Paulo e de lá iria até Curumbá, na fronteira do Brasil com a Bolívia, atravessaria a Bolívia até chegar no Peru, onde ficava Machu Picchu,

O problema é que, como eu falei, o planejamento da viagem foi muito corrido, foi de repente eu falei “vou fazer um mochilão”, nisso, eu só teria mais 16 dias antes do retorno das aulas para o meu segundo período no curso de Direito (sim, eu tinha passado no vestibular), então eu resolvi cortar um pedaço da viagem. Decidi ir de avião até Santa Cruz de La Sierra, na Bolívia, e de lá eu faria o restante do percurso de ônibus. Na volta da viagem, eu desceria até Santa Cruz de La Sierra e de lá pegaria novamente um avião até o Rio de Janeiro e do Rio eu voltaria para a minha cidade (minha cidade ficava perto do Rio).
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Entrei no avião, era a terceira vez que eu viajava de avião na minha vida.

Eu faria uma conexão no aeroporto de São Paulo, depois meu vôo iria fazer escala em Campo Grande e em seguida ia para o Aeroporto Internacional de Viru Viru, em Santa Cruz de la Sierra.

Não vou detalhar os acontecimentos do vôo, o importante é dizer que a viagem atrasou muito porque aconteceram vários problemas, entre liberações da pista de decolagem e abastecimentos dos lancinhos que seriam servidos a bordo. No final das contas, cheguei em Santa Cruz às 3 horas da madrugada (a pequena diferença de fuso horário ajudou também a agravar a situação).

Ou seja, eu estava com o cu completamente trancadinho. Quer dizer, eu tinha chegado às 3 horas da madrugada numa cidade que eu não conhecia e num país que não era o meu. O meu cérebro só conseguia pensar: “Marcos, você tem que achar um lugar para passar a noite o mais rápido possível”.

Passei pela policia Boliviana sem maiores transtornos. Na verdade fiquei até um pouco aborrecido, pois eles não me solicitaram o Certificado Internacional de Vacinação e Profilaxia. Depois da trabalheira toda que eu tinha tido para conseguir pegar a droga do CIVP, ele tinha se restado inútil no after all.

Peguei meu mochilão na esteira. A polícia deu uma revistadinha bem mixuruca na minha bagagem e em seguida segui para ver algum transporte que me levasse ao centro da cidade. A única coisa que eu tinha era o nome de uma rua que eu tinha anotado num papel, lá eu sabia que havia hostel.

Antes de sair pela porta do aeroporto, troquei algum dinheiro na casa de cambio que estava aberta. A moeda boliviana se chamava “boliviano” e era bem desvalorizada em relação ao Real. 1 real valia cerca 3,20 bolivianos.
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A saída do aeroporto foi acompanhada de uma desagradável surpresa. Do lado de fora do aeroporto só havia dois taxis para atender os mais de 150 passageiros que tinham descido do avião.

Eu olhei para os lados, meio estupefato, meio bobo. Um pequeno grupo de pessoas já corriam com suas malas em direção aos taxis, disputando ferozmente quem chegaria primeiro

Eu nem me dei o trabalho de tentar pegar o taxi, pelas circunstâncias era óbvio que eu estava fora daquela disputa.

Os demais passageiros que não tinham parentes para buscá-los no aeroporto ficaram se olhando, inertes, parados.

Uma mulherzinha de dentro do aeroporto veio dizer que mais taxis estariam a caminho.

Passou bem uns cinco minutos sem aparecer taxi nenhum. E eu ultra preocupado né.

Quando ao longe apontou um taxi entrando no aeroporto, eu não quis nem saber, já fui me precipitando sobre ele, eu parecia um animal. Tenho até vergonha da minha reação, eu parecia um esfomeado atrás da comida. Naquele momento, eu era puro instinto. Eu queria pegar o taxi e pronto, quase uma luta pela sobrevivência.

Quando o taxi parou, só me faltou abraçar o carro e gritar “É meu, é meu!!! Saiam seus vagabundos. Esse daqui é meu!!!”

O taxista abriu o porta-malas para eu colocar o meu mochilão, mas eu fiz um sinal negativo com a cabeça e expliquei em espanhol que o mochilão ia comigo na frente. Neste momento, apareceu uma garota, devia ter uns 18 anos; cabelo moreno; olhos com cor âmbar, mais ou menos bege escuro. Ela tinha um mochilão nas costas também. Ela era obviamente uma mochileira igual a mim (por sinal, nós mochileiros nos reconhecemos com muita facilidade).

Ela me perguntou em inglês se eu estava indo para algum hostel. Só que na hora eu estava tão aturdido com a situação, que eu a respondi em espanhol. Ela fez cara de quem não tinha entendi a minha resposta e voltou a me perguntar em inglês. Eu novamente respondi em espanhol, já ligeiramente impaciente, sem perceber que estávamos falando línguas diferentes.
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Ela perguntou mais uma vez. Eu respondi novamente em espanhol que sim, que eu estava indo para um hostel. Dessa vez, deixando transparecer toda a minha impaciência, eu estava com medo de perder o taxi para outra pessoa e ficava aquela menina burra me fazendo a mesma pergunta, eu já tinha respondido que eu ia para um hostel, que saco. Eu estava tão baratinado, que nem estava percebendo que ela estava me perguntando em inglês e que eu estava respondendo em espanhol. Naquela confusão toda, pra mim, aquilo tudo era um língua só.

Foi então que apareceu um rapaz, também com uma mochilona nas costas. Eu momentaneamente esqueci de toda aquela bagunça que estava acontecendo a minha volta e minhas atenções se concentraram naquele garoto. Ele era simplesmente muito gatinho.

Em inglês, ele respondeu para a garota que eu tinha dito que estava indo para um hostel sim. Em seguida, ele acrescentou que também estava querendo ir para um hostel. Depois ele se virou pra mim e, em espanhol, explicou que e a menina estavam querendo ir para um hostel e me perguntou se conhecia algum e se eles poderiam dividir o taxi comigo.

Eu demorei alguns segundo hipnotizado pelos olhos verdes escuros que ele tinha. Depois, com muito mais calma do que estava antes, respondi que eles poderiam vir comigo sem problema nenhum, que eu também estava indo procurar um hostel.

Entramos eu, a garota e o rapaz gatinho dentro do taxi. Eu no banco da frente, agarrado a minha mochila, como se alguém estivesse louco para pegá-la de mim, e os dois no banco de trás. Conforme o taxi foi andando, eu fui me acalmando e só então percebi a mistura que eu tinha feito e, em inglês, expliquei o que tinha acontecido para a garota e lhe pedi desculpas.
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Enquanto o taxi andava em direção ao centro da cidade, fomos nós três nos conhecendo melhor.

Eu me apresentei, disse que meu nome era Marcos, falei que eu era do Brasil etc

Descobri que a garota se chamava Chantelle e era da Nova Zelândia. Já o garoto se chamava Ferdinand e era da Áustria (só gente chique, eu pensei).

Coincidentemente nós três tínhamos a mesma idade, 18 anos.

Chegando ao hostel, Chantelle ficou num quarto individual e eu e Ferdinand resolvemos dividir um quarto. A hospedagem era incrivelmente barata. O quarto que eu dividi com meu colega mochileiro austríaco custava 30 bolivianos, ou seja, 15 bolivianos para cada um. Quer dizer, pra mim custava menos de 5 reais. Mesmo que o banheiro fosse coletivo, eu achei um absurdo de barato eu pagar praticamente R$4,50 para dormir lá, me senti igual um europeu quando vem para o Brasil. Mas aí então me lembrei de Fernand e me senti ridículo, para ele o preço daquele hostel devia ser literalmente uma esmola, na conversão devia dar menos de 2 euros para ele. Confesso que senti um pouco de inveja. Ele com seu Euro megapotente simplesmente tinha ofuscado a minha alegria de pobre. Eu crente que estava abafando com os meus reais no bolso... Mas o que era o Real perto do Euro...

Eu estava tão cansado que resolvi ir dormir sem tomar banho, mesmo que meu estado de putrefação pedisse o contrário.

Eu, Chantelle e Ferdinand combinamos de irmos juntos conhecer a cidade no dia seguinte. Eu ainda conversei mais um pouquinho com Ferdinand no quarto antes de dormir. Ele me contou que tinha resolvido fazer uma viagem pelo mundo antes de entrar na Universidade de Viena (Universität Wien), onde ele tinha planos de estudar Medicina. Ele me falou que queria se distrair um pouco antes de começar a estudar para valer. O plano dele era ficar viajando pelo mundo durante um ano, sendo que ele já estava viajando fazia dois meses. Ele tinha passado pelo Chile, Argentina, Uruguai e Brasil.
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Eu falei para Ferdinand que eu estudava Direito. Depois disso, fui para o banheiro colocar meu pijama e escovar os dentes. Em seguida, caí na cama e dormi.

É evidente que no dia seguinte acordamos tarde. Quando eu abri os olhos, Ferdinand não estava mais em sua cama, eu estava sozinho no quarto, porém vi o mochilão dele emparelhado ao lado de sua cama.

Já que Ferdinand não estava no quarto, resolvi aproveitar sua ausência para poder trocar o meu pijama. Eu não me sentia confortável em ficar trocando de roupa na frente dele. E acho que ele também ficava meio constrangido de trocar de roupa na minha frente...

Abri meu mochilão e tirei uma bermuda, uma camisa e uma cueca (eu durmo de short sem cueca).

Tirei meu short de pijama e coloquei em cima da cama. Empós, comecei a tirar a minha camisa de pijama, quando de repente escutei o barulho da maçaneta abrindo a porta do quarto.

Vi Ferdinand entrando no quarto. Ele estava descalço e sem roupa, sua cintura apenas enrolada numa tolha de banho.

Fiquei encarando aquele bonito garoto na minha frente e esqueci completamente que eu estava pelado. Ferdinand era um pouco mais alto que eu; tinha os olhos verdes bem escuros; o cabelo curto era loiro beirando o castanho e estava todo arrepiado e bagunçado por causa do provável banho que ele tinha acabado de tomar; sua pele devia ser bem branca, ao tipo vampiro, porém ele estava bronzeado.

Ferdinand também ficou me encarando em silêncio durante alguns segundos.

Ao longe, alguém fez algum barulho, fazendo com que nós dois acordássemos do nosso momentâneo transe.

Ferdinand gaguejou alguma coisa em alemão a qual eu não entendi, logo em seguida emendou em espanhol.

- Perdón. Yo pensé que estavas durmiendo aun.

Eu corei sem graça e rapidamente o respondi enquanto colocava minha cueca e minha bermuda, sob o olhar dele.

- Tanquilo, tranquilo. Somos hombres, sí. Entonces no hay problema, ¿ Verdad?
- Verdad. – respondeu Ferdinand, porém eu notei que ele também tinha ficado ligeiramente vermelho.
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Ele então tirou a toalha, ficando nu na minha frente e vestiu sua roupa, numa tentativa boba de demonstrar que não ligava de ver ou ficar pelado na frente de outro homem. Por minha vez, eu fiquei arrumando o meu mochilão, fingindo também que não dava a mínima ao fato de ter um rapaz gostoso pelado ao meu lado.

Passado o momento, eu e Ferdinand nos reunimos à Chantelle na entrada do hostel e saímos em busca de um restaurante para podermos almoçar, já que já era por volta de 13h20min.

Sem dificuldade, descobrimos um restaurante brasileiro e foi lá que elegemos para almoçar.

Era um típico restaurante brasileiro à quilo. Tinha bastante variedade de pratos e o local era bem agradável.

Na presença de Chantelle, eu e Ferdinand conversamos em inglês, já que ela não saiba falar espanhol.

Durante o almoço, entre uma garfada e outra, fomos contanto nossos planos de viagem...

- Eu estou indo para Machu Picchu. – eu falei.
- Eu também! – exclamou Ferdinand.
- Então somos três! – afirmou Chantelle.

Estúpido espanto. A coincidência não era tão coincidência assim. Afinal de contas, Machu Picchu era um destino famoso para os mochileiros.

No decorrer da conversa, entretanto, descobri que Chantelle iria fazer um percurso diferente do meu para chegar em Machu Picchu. Ao invés de subir para La Paz via Cochabamba, ela iria desviar o caminha para Sucre, para conhecer a capital constitucional da Bolívia, depois iria para Potosí, a cidade mais alta do mundo e, em seguida, para Uyuni, onde havia um deserto de sal, só depois subiria para La Paz via Oruro.

O percurso parecia bem interessante de se fazer. Infelizmente, contudo, para mim, ele se mostrava inviável, porque aumentaria em mais de 10 dias a minha viagem e eu tinha somente duas semanas para ficar viajando...
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Quando Chantelle terminou de explicar seu roteiro, Ferdinand exclamou.

- Mas esse é meu roteiro também! – ele falou.

Eu dei de ombros... Teria sido interessante viajar na companhia dos dois... Principalmente na companhia de Ferdinand... Ele tinha um jeitinho charmosinho que me atraia e me cativava.

De qualquer jeito, seria bom fazer a viagem sozinho. Afinal, era essa a idéia original: viajar sozinho, até mesmo como uma forma de autoconhecimento, de estar na companhia de mim mesmo, me conhecendo. O encontro com Ferdinand e Chantelle tinha sido apenas um acaso, não tinha sido programado.

- Por que você não vem com a gente? – perguntou Ferdinand animado, mostrando um lindo sorriso pra mim.

Expliquei-lhe então a minha limitação de tempo e ele pareceu ligeiramente despontado.

Depois do almoço fomos para a praça central da cidade e conhecemos a catedral que era muito bonita. Ficamos curtindo a tarde na pracinha, conversando e tal.

No final da tarde, resolvemos ir à rodoviária, ver os horários dos ônibus. Eu iria pegar um ônibus para La Paz e Ferdinand e Chantelle pegariam um ônibus para Sucre.

A rodoviária era uma completa bagunça, demoramos um pouco para descobrir as companhias que trasladavam as viagens que queríamos. No meu caso, ônibus para La Paz só teria agora no dia seguinte, pela manhã. Para Sucre ainda haveria um ônibus que sairia agora pela noite, mas Ferdinand e Chantelle decidiram que pegariam o ônibus no dia seguinte, pela tarde.

Eu não sabia o porquê (aliás, sem hipocrisia, talvez até soubesse), mas a maneira como Chantelle olhava admirada para Ferdinand me irritava. A forma como ela ficava perguntando sobre a cidade de Viena, blá blá blá, e se derretendo para Ferdinand me faziam ficar um pouco aporrinhado. O pior mesmo era quando ela cismava de ficar comparando Auckland com Viena... Mas o que era Auckland perto de Viena, tadinha... Mas optei por não comentar... À parte disso, ela até que era gente boa.
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Depois 'das rodoviárias' (sic), nós três fomos caçar um lugar para jantar.

Acabamos achando uma pizzaria interessante nos arredores da praça principal. Lugar modesto, mas bem aparentado.

Concluída a burocracia do que iríamos pedir para comer, Ferdinand falou que precisava ir ao banheiro e se levantou da mesa.

Passado alguns minutos, eu não sei o que me deu na cabeça que eu resolvi ir lá no banheiro, pedi licença para Chantelle e caminhei em direção ao banheiro.

Dentro da minha cabeça, eu estava querendo era capturar Ferdinand pra mim. Mas isto parecia tão incomum, tão safado, e eu era o oposto disso, tímido, eu não sabia chegar nas pessoas... Eu já sentia dificuldades em cortejar as garotas, o que dizer de garotos então. Porém, ali, fora da minha cidade, fora do meu país, num lugar onde ninguém me conhecia, eu me sentia totalmente livre, se não desse certo, paciência, eu continuaria a minha viagem sem maiores problemas, eu não tinha nada a perder...

Eu não sei exatamente como que essa súbita coragem tinha surgido dentro de mim... Tá certo que eu não poderia criar muitas esperanças em relação a Ferdinand, ele era de outro país, de outro continente(!) inclusive. Porém, qual era o pecado de se divertir um pouquinho? Por que todas as minhas relações amorosas tinham quem ter uma perspectiva de futuro? Eu estava farto disso. Além disso, eu estava descrente de relacionamentos sérios. Meu namoro com Guilherme não tinha dado certo, meu namoro com Monise não tinha dado certo. Era hora de aproveitar uma boa companhia sem ficar se preocupando em “casar”. Ferdinand era muito gatinho e gostoso, sem contar que era austríaco (quando na minha vida eu teria outra chance de dar uns pegas em algum austríaco?) eu ia arriscar.

Quando abri a porta do banheiro, Ferdinand estava saindo. Nossos corpos ficaram um de frente para o outro, há apenas poucos centímetros de uma colisão.
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Nossos rostos ficaram a menos de uma palma de distância. Mirei meu olhar nos olhos de Ferdinand e me vi refletido em suas pupilas. O momento de dar o bote era agora.

Segundos se passaram e eu continuei inerte, paralisado, sem conseguir avançar meu corpo sobre o de Ferdinand. O meu cérebro dava a ordem para eu me mexer, para eu roubar um beijo daquele garoto; mas meu corpo não obedecia, meu coração parecia estar travando os meus músculos.

Ferdinand me encarava nos olhos, como se estivesse esperando uma reação minha.

O tempo se alongou numa demora sufocante.

Finalmente consegui abrir a boca.

- Terminou de usar o banheiro? – eu perguntei, e imediatamente depois me senti um idiota por ter feito a pergunta.
- Sim, claro. – apressou-se Ferdinand, dando licença para que eu pudesse entrar no banheiro.

Nossos olhares se perderam. Ferdinand caminhou em direção à mesa e eu entrei no banheiro.

Abri o velcro da minha bermuda e comecei a mijar no mictório apesar de nem estar com tanta vontade assim de usar o banheiro. Depois, enquanto lavava minhas mãos, fiquei me olhando no espelho. Eu simplesmente tinha amarelado na hora “H”. Era essa a verdade. Talvez eu fosse um covarde. Onde estivera toda a coragem que eu achara que tinha para agarrar Ferdinand e dar-lhe um beijo?

Enquanto a água escorria pelas minhas mãos, fiquei me achando um tolo. Sequei minhas mãos e voltei para a mesa. Entretanto, eu não estava disposto a desistir tão facilmente assim...

- Ferdinand, que tal a gente experimentar a cerveja boliviana? – eu sugeri.

Ele acenou afirmativamente, demonstrando que tinha gostado da idéia.

- E eu? – indagou Chantelle brincando. – Aposto que vocês dois juntos não dão pro gasto de me acompanharem na bebedeira...
- Você vai ver então. – eu retruquei.

Chamei o garçom e perguntei se eles tinham alguma cerveja. Ele respondeu que sim. Então lhe pedi para que ele trouxesse uma garrafa para nós três.
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Momentos depois o garçom retornou à mesa, trazendo três copos e uma garrafa da cerveja “Paceña”.

A cerveja estava deverás gostosa, bem geladinha e com um sabor delicadamente amargo.

Foram 30 minutos depois que chegaram as duas pizzas que tínhamos pedido, quentinhas e apetitosas.

Era curioso a boa combinação que a pizza fazia com a cerveja.

Entre fatias de pizza e goladas de cerveja, compartilhávamos “causos” de nossas vidas e aspectos culturais dos nossos países, tão diferentes um do outro. Logo de cara percebia-se o quão patriota era Chantelle.

Fartos, barrigas cheias, os últimos pedaços foram comidos a título de gula, apenas porque as pizzas realmente estavam gostosas. À essa altura, nós já estávamos bem altinhos por causa da cerveja.

Pedimos mais uma “Paceña” de saideira e depois que a terminamos, pedimos a conta do restaruante. Apesar de todo esbanjamento, a conta não tinha ficado tão cara e Ferdinand insistiu mais de uma vez que queria pagar a conta e já que eu era o ‘brasileiro pobre’, nem fiz cerimônia...

A caminho do hostel, já devia ser umas 21h00min da noite, achamos um supermercado aberto e Chantelle teve a brilhante (brilhante pra ela) idéia de comprarmos alguma garrafa de bebida lá.

Depois de alguma discussão, decidiu-se por comprar uma garrafa de Rum e duas garrafas de Coca-Cola que estavam bem geladas.

Chegando ao hostel, pedimos gelo e três copos e em seguida fomos para meu quarto e de Ferdinand. Lá ficamos bebendo e conversando. Em certo ponto, eu comecei a observar que Chantelle estava ficando toda atiradinha pra cima do meu Ferdinand (meu?), pegando nos braços dele e as vezes na perna.

Horas e horas conversando, de repente o assunto ficou escasso e foi então que Chantelle veio com outra idéia "brilhante".
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